Green card de Eduardo expõe blindagem da família Bolsonaro em Washington
Cultivada desde o mandato de Jair Bolsonaro, a relação da família do ex-presidente com o líder republicano se nutre por preferências ideológicas e estratégias de governo
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O governo de Donald Trump concedeu, nesta segunda-feira (20/7), o green card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), documento que garante residência permanente nos Estados Unidos e amplia a proteção jurídica do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento chegou pouco mais de um mês depois de Eduardo ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.
O episódio é o novo capítulo de uma relação entre os Bolsonaro e o governo americano, que começou a se desenhar ainda no primeiro mandato de Trump e se transformou no principal eixo da estratégia de defesa da família diante da Justiça brasileira.
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O pedido de residência de Eduardo Bolsonaro foi protocolado há mais de um ano e aprovado neste mês de julho, o benefício vale também para a esposa e os filhos do ex-deputado. Com o green card, Eduardo passa a ter praticamente os mesmos direitos de um cidadão americano, com exceção do voto e da obtenção de passaporte dos EUA, deixando de depender de vistos temporários para permanecer no país.
O exílio em Washington
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando anunciou que se licenciaria do mandato de deputado para se dedicar à articulação internacional em defesa do pai, logo após a Polícia Federal (PF) indiciar Jair Bolsonaro no inquérito da trama golpista. Antes disso, o nome de Eduardo já havia sido cogitado por Trump para a embaixada do Brasil em Washington.
Instalado no país, Eduardo se tornou uma presença constante na Casa Branca e em eventos ligados ao movimento conservador Make America Great Again (MAGA), além de se colocar como interlocutor direto de nomes como o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário do Tesouro Scott Bessent. Nessa condição, o ex-deputado passou a pressionar publicamente por sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e a defender a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
A atuação teve efeitos concretos e em julho de 2025 o governo Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, medida que Eduardo chegou a comemorar publicamente como resultado das articulações que vinha fazendo há meses. Dias depois, Washington cassou o visto de Moraes e, na sequência, sancionou o ministro pela Lei Magnitsky, que classifica violações graves de direitos humanos. As sanções chegaram a ser estendidas à mulher do ministro.
Foi justamente essa atuação junto ao governo americano que embasou a condenação de Eduardo pelo Supremo em junho deste ano. Para Moraes, "não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país". Ainda de acordo com o magistrado, o ex-parlamentar teria “levado desinformação a autoridades americanas em prejuízo do Brasil”. Eduardo nega irregularidades e classifica as acusações como fantasiosas.
Bolsonaro e Trump: inspiração e poder
A proximidade de Eduardo com o trumpismo é herança direta da relação que Jair Bolsonaro cultivou com Trump ainda como presidente do Brasil, entre 2019 e 2022. Os dois nutriam preferências ideológicas baseadas no discurso antiglobalista, no negacionismo científico, especialmente durante a pandemia de Covid-19, e na crítica a governos progressistas. Jair Bolsonaro chegou a ser chamado de “Trump Brasileiro” pela imprensa internacional, assim como acontece com o presidente argentino Javier Milei, outra figura da direita que nutre profunda admiração pelo líder norte-americano.
O momento mais emblemático dessa relação, e um dos mais comentados da diplomacia brasileira recente, ocorreu em setembro de 2019, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. Segundo diplomatas presentes, Bolsonaro encontrou Trump nos bastidores do evento e chegou a se declarar para o republicado com um “I love you”. Na ocasião, Trump respondeu a declaração com um “Bom te ver de novo".
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O green card concedido nesta segunda-feira é a expressão mais recente dessa aliança: um benefício migratório que, segundo críticos, funciona como blindagem para um condenado pela Justiça brasileira, e que ocorre em meio a um momento de forte tensão diplomática entre Brasília e Washington.