Desvio de foco e "decisão arriscada": como Flávio Bolsonaro decidiu divulgar a carta do pai
Decisão foi motivada pela divulgação de carta do ex-presidente; aliados avaliam que episódio pode fortalecer a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao deslocar o foco de crises internas do PL
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu as visitas do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Jair Bolsonaro, por 90 dias. Ou seja, Flávio só poderá ver o pai novamente após o primeiro turno das eleições deste ano. A medida de Moraes foi motivada pela divulgação do senador da última carta escrita pelo ex-presidente, que foi endereçada “aos brasileiros”.
Segundo fontes ligadas ao PL ouvidas pelo Correio, a decisão de divulgar a carta foi “arriscada, mas necessária”, pois Jair Bolsonaro escreveu a carta com o objetivo de intervir nos atritos mais recentes dentro do partido e unificar a direita para focar todos os esforços nas eleições. Outro ponto de racha nos bastidores é a falta de apoio à candidatura de Flávio até entre políticos ligados ao bolsonarismo, após as notícias que ligam o pré-candidato a Daniel Vorcaro, ex-empresário dono do Banco Master.
De acordo com a decisão judicial que colocou Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, ainda antes de sua condenação em setembro de 2025, o ex-presidente não pode utilizar as redes sociais para se manifestar, mesmo que por meio de terceiros. No entanto, Flávio Bolsonaro assumiu os riscos ao publicar uma carta em que Bolsonaro abertamente o coloca como “porta-voz”.
Ao escrever a carta, Jair Bolsonaro teria assumido o risco de passar uma mensagem necessária. Apesar do ônus, lideranças da oposição avaliam que a decisão de Alexandre de Moraes desviou o olhar do caso Banco Master e do atrito público com a ex-primeira dama, se tornando algo benéfico para a campanha do filho de Jair.
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A leitura pública da carta do ex-presidente foi feita por Flávio no último sábado (11/7), após uma de suas visitas. Por meio dela, Jair Bolsonaro afirma estar com “saudades” de falar ao povo brasileiro e diz que o momento é de “se empenhar para pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro”.
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Outro ponto de preocupação no PL seria o fortalecimento da campanha de reeleição de Lula a partir dos atritos na direita, o que justifica o pedido de união ressaltado por Jair Bolsonaro e o risco assumido por seu filho ao ler a carta em suas redes sociais. “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento. Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, diz a carta de Jair Bolsonaro.