NORTE DE MINAS

MP quer suspender vaquejada de R$ 1,6 milhão em cidade de 4 mil habitantes

A cantora cearense Mari Fernandez é a principal atração do evento, marcado para começar já nesta quinta-feira (9/7)

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A 32ª Vaquejada Nacional de Miravânia, no Norte de Minas, corre o risco de ser suspensa após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizar uma Ação Civil Pública contra a realização do evento, marcado para 9 a 12 de julho.

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Para a 2ª Promotoria de Justiça de Manga, também no Norte de Minas, o investimento planejado de aproximadamente R$ 1,67 milhão é “flagrantemente desproporcional à realidade financeira do município”. Segundo o MPMG, o valor é maior que o orçamento anual destinado a toda a assistência social local.

Miravânia é uma cidade de pequeno porte próxima à divisa entre Minas e Bahia. São 3.985 habitantes, conforme censo do IBGE de 2022.

32ª Vaquejada Nacional de Miravânia

A festa terá a cantora Mari Fernandez como atração principal. Famosa por hits como “Não, não vou”, a cearense tem mais de 7 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Caninana do Forró e a dupla Althaír e Alexandre também estão entre os nomes que vão tocar na vaquejada.

“Em Inquérito Civil instaurado para investigar as despesas planejadas com o evento chegou-se à conclusão de que os gastos com shows e estruturas temporárias ocorrem em meio a um cenário de precariedade em serviços essenciais, como saúde e infraestrutura básica”, avaliou o MPMG.

A promotoria ainda aponta possível desvio de recursos de fundos específicos de patrimônio cultural e turismo para custear a festa.

"A controvérsia transcende interesses meramente patrimoniais do município ou de seus gestores, alcançando diretamente toda a coletividade local, destinatária dos serviços públicos custeados pelo orçamento municipal", destacou o promotor de Justiça Lucas Eduardo de Lara Ataide.

Emendas Pix

O deputado estadual Ricardo Campos (PT) enviou R$ 200 mil para o município em emendas Pix com a descrição de “apoio a evento agropecuário”. Procurado pelo Estado de Minas, ele disse que o MP muitas vezes “age de forma descabível” e defendeu o investimento como fomento à cultura.

“Somos o mandato que mais apoia a principal festa da região. Tem que levar em consideração a relevância cultural. O cidadão carente que não tem condição de pagar por esses shows”, explicou, Ricardo Campos, afirmando que o investimento ainda vai movimentar a economia do município.

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A reportagem também questionou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sobre a previsão de apreciação da ação, já que o evento começa já nesta quinta-feira (9/7). Até a publicação desta matéria, não houve retorno, mas o texto será atualizado em caso de uma resposta.

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