Líder nas pesquisas e nome cotado para ser o palanque bolsonarista em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou, em entrevista ao jornal "O Globo", que entrou na política “para aparecer”. O parlamentar disse ainda que seu sonho nunca foi comandar o Palácio Tiradentes, mas trabalhar na televisão como apresentador ou comentarista esportivo. “Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda (sic) aqui”, disse. 

A declaração, feita em entrevista publicada nesta sexta-feira (5/6) pela newsletter "Jogo Político", ocorre justamente no momento em que seu nome é tratado como uma das principais apostas para a disputa ao governo de Minas Gerais, em uma aliança com o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Entrei na política para aparecer, não sou hipócrita. Nunca nem tive título de eleitor, só queria ser famoso", declarou.

Na entrevista, o senador voltou a adiar qualquer definição sobre o tema e afirmou que pretende tratar do assunto apenas após a Copa do Mundo. “Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, disse, ao mencionar também não fazer “nenhuma questão” de ser candidato.

“Mas está virando uma onda o meu nome. Como é que eu não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não. Quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas”, afirmou.

A postura representa uma mudança de tom em relação ao início do ano. Em fevereiro, após receber críticas de adversários que o classificaram como “despreparado” para governar Minas, Cleitinho afirmou que “não abriria mão da candidatura” ao Executivo estadual.

Questionado sobre as chances de disputar o governo, respondeu de forma evasiva. “Hoje, onze. Amanhã pode ser um, disse. Segundo ele, o mistério em torno da candidatura é deliberado. “Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, oras, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha”, afirmou.

Pressão cresce entre aliados

Como mostrou o Estado de Minas, lideranças do PL aguardam uma resposta de Cleitinho nos próximos dias para definir o rumo das articulações para o palanque do senador Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, pré-candidato do partido à Presidência.

Sem aparecerem juntos em compromissos públicos, Cletinho e Flávio se reuniram nessa quarta-feira (3/6), última dia da passagem do "filho 01" de Bolsonaro por Minas, quando o tema da candidatura foi discutido. Participaram da reunião, além de deputado federal Nikolas Ferreira, o secretário-geral do PL mineiro, Domingos Sávio, que adiantou ao EM o prazo dado ao senador mineiro.

"Não podemos deixar isso para a véspera da convenção. Porque, se porventura o Cleitinho não for, a gente tem uma responsabilidade com Minas e com o Brasil. A gente tem que tomar uma decisão”, afirmou ao EM. A entrevista publicada pelo Globo não informa quando as declarações do senador foram concedidas.

Atritos com o próprio partido

Na entrevista ao "Globo", Cleitinho ainda colocou em dúvida o apoio da legenda a uma eventual candidatura sua ao governo de Minas. Apesar de afirmar que o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, garante que lhe concederá a legenda, o senador disse não confiar na promessa.

“Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou.

Cleitinho também criticou a estratégia da legenda de apostar no ex-deputado federal Eduardo Cunha como puxador de votos para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais. Ele classificou o correligionário como “vagabundo” e disse que pretende “fazer campanha contra” o ex-presidente da Câmara.

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As críticas alcançaram ainda o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, figura associada ao Republicanos e com forte influência nos rumos da legenda. Durante a entrevista, Cleitinho classificou o bispo como “falso profeta”.

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