Cotado para a disputa ao governo de Minas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou não confiar plenamente que terá o respaldo de seu partido caso decida disputar o governo de Minas Gerais. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (5/6), o parlamentar lançou críticas à direção nacional do partido e manteve indefinição sobre sua participação na corrida ao Palácio Tiradentes.
A queixa do senador é direcionada ao presidente nacional do Republicanos, o deputado federal por São Paulo, Marcos Pereira. “Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou à newsletter "Jogo Político", do jornal "O Globo".
As divergências também alcançam a estratégia adotada pelo Republicanos em Minas Gerais. O senador criticou a aposta da legenda no ex-deputado federal Eduardo Cunha como potencial puxador de votos para a Câmara dos Deputados no estado. Cleitinho chama o correligionário de “vagabundo” e diz que “faz questão de fazer campanha contra ele”.
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As críticas se estenderam ainda ao líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, figura associada ao Republicanos e com influência nos rumos da legenda. Na entrevista, Cleitinho classificou o religioso como “falso profeta”.
Decisão só depois da Copa
Na entrevista, Cleitinho deixa para depois da Copa do Mundo a decisão de bater o martelo sobre uma eventual candidatura ao governo de Minas. “Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, afirmou.
Ao comentar a possibilidade de entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes, Cleitinho disse ainda que não faz “nenhuma questão” de ser candidato. “Mas está virando uma onda o meu nome. Como é que eu não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não. Quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas”, declarou.
A postura contrasta com declarações feitas pelo próprio senador meses atrás. Em fevereiro, Cleitinho chegou a afirmar que “não abriria mão da candidatura ao governo”, ao responder críticas de adversários que o classificavam como “despreparado” para comandar o estado.
Questionado sobre as chances de entrar na disputa, o parlamentar foi evasivo. “Hoje, onze. Amanhã pode ser um”, disse. Na sequência, admitiu que ingressou na política “para aparecer” e que queria era “ser famoso”. “Na verdade, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, afirmou.
PL pressiona por definição
O prazo indicado por Cleitinho também diverge das expectativas de lideranças do PL, partido que tenta construir uma aliança em torno de sua candidatura ao governo mineiro. Como mostrou o Estado de Minas, a direção da legenda estabeleceu que o senador apresentasse uma resposta nos próximos dias.
O tema foi discutido nesta semana durante a passagem do senador Flávio Bolsonaro por Minas Gerais. Participaram da conversa, além de Cleitinho, o secretário-geral do PL mineiro, Domingos Sávio.
A preocupação da legenda é evitar que a indefinição avance até o período das convenções partidárias, previsto para começar em 20 de julho. “Não podemos deixar isso para a véspera da convenção. Porque, se porventura o Cleitinho não for, a gente tem uma responsabilidade com Minas e com o Brasil. A gente tem que tomar uma decisão. Por isso, ficou combinado que serão só mais alguns dias”, afirmou Sávio ao EM.
Apesar da pressão, as declarações concedidas ao "Globo" indicam que o senador segue sem disposição para antecipar qualquer anúncio. “Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, oras, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha”, disse.
Cleitinho também rebateu críticas e demonstrou confiança em sua capacidade de mobilização eleitoral. “A classe política me subestima e parte da imprensa também. Eu gosto disso. Não tenho medo de virar governador, e de ser cobrado e xingado pelo eleitor”, afirmou.
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Em seguida, provocou adversários ao relativizar o peso da formação acadêmica nas disputas eleitorais. “Só porque eu falo errado e não tenho estudo? Não é porque tem mestrado e doutorado que vai ter voto. Se fosse assim, o Lula nunca teria chegado onde chegou. Voto é emocional, é sentimento”, concluiu.
