O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta terça-feira (2/6) que a política externa brasileira perdeu o caráter institucional e passou a seguir uma orientação ideológica sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Megaleite, em Belo Horizonte, ao comentar a ameaça de tarifas retaliatórias dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo Caiado, o desgaste nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos é resultado da postura adotada pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty nos últimos anos.

“O que eu entendo é que o Brasil, governado pelo PT, não tem mais uma política no Itamaraty, uma política de Estado. Ele tem uma política de governo. A chancelaria brasileira sempre foi uma referência mundial. De repente, tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper esse relacionamento com os Estados Unidos”, declarou.

O governador também afirmou que o Brasil precisa retomar a capacidade de diálogo internacional e criticou o que classificou como alinhamento político do governo federal. “Sou um homem que rezo no altar da democracia. Sou um democrata na essência. Agora, sou mais do que nunca patriota e brasileiro”, disse.

Durante a coletiva, Caiado criticou a possibilidade de imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e defendeu a retomada das negociações com os Estados Unidos. “O que nós não podemos aceitar é que venham taxar aquilo que realmente o Brasil sempre teve uma parceria. Esperamos que esse diálogo seja reaberto”, declarou.

Caiado afirmou ainda que o Brasil possui importância estratégica no cenário internacional por causa da produção agrícola e das reservas minerais. “Nós somos o único país no Ocidente que temos terras raras pesadas. Nós somos o único país no Ocidente que temos o controle de nióbio 100% no mundo”, disse.

O posicionamento ocorre após o governo dos Estados Unidos concluir, nessa segunda-feira (1º/6),  investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O relatório aponta que práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

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O documento propõe tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, embora as medidas ainda dependam de discussão nas próximas semanas. Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão políticas ligadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

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