O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas é uma colaboração “muito bem-vinda”. Ele ainda culpou o presidente Lula (PT) pela não determinação e afirmou que não ocorrerá intervenção americana.
A decisão da Casa Branca foi divulgada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em comunicado oficial, feito na noite dessa quinta-feira (25/5). Com isso, as organizações serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. Antes disso, ambos os grupos já foram denominados “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
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"O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros", destaca o comunicado.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema questionou o argumento do governo brasileiro de que tratar facção como terrorismo ameaça a soberania nacional. “Quem ameaça nossa soberania é exatamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios dentro do Brasil. Lá quem manda são eles. Não governam. Nossa soberania não está ameaçada. Ela foi roubada”, argumentou.
Zema ainda criticou a fala de que a determinação facilitaria uma intervenção americana no Brasil e disse que essa interferência não ocorreria. “O governo americano (...) vai ajudar a combater facções que extorquem milhões de famílias, que já atuam em muitos outros países e que, a cada dia que passa, se tornam ainda mais fortes nas barbas do Lula”, afirmou.
O pré-candidato do Novo ainda afirmou que “o Lula nunca fez nada a respeito”: "Pelo contrário. Só passa pano para bandido". Na visão dele, a decisão deveria ter sido tomada “há muito tempo” e foi acontecer graças a Flávio Bolsonaro (PL).
Desde o início de sua pré-campanha, Zema usa como argumentos as críticas a Lula, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a Flávio. No entanto, movimentações dentro do Novo o pressionaram para que as críticas ao "filho 01" de Jair Bolsonaro (PL) diminuíssem, de modo a não prejudicar a legenda.
A determinação ocorre após a visita do senador e também presidenciável Flávio Bolsonaro visitar o presidente Donald Trump e pedir pela designação. Ele também se encontrou com outros membros do gabinete americano, como o próprio Rubio e o vice-presidente dos EUA, JD Vance. Assim que o comunicado foi divulgado, Flávio comemorou nas redes sociais: “Grande dia”.
Negativa brasileira
Em outubro do ano passado, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, esclareceu que o governo federal não considera o PCC, o CV e outras facções como grupos terroristas porque elas não se enquadram no que a lei entende como terrorismo, uma vez que os grupos não possuem inclinação ideológica.
"Grupos terroristas são aqueles que causam perturbação social, política, têm uma inclinação ideológica, o que não acontece com as organizações criminosas", explicou o ministro, em meio a evento de lançamento de proposta de endurecimento de ações contra facções.
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O ministro também afirmou que os crimes praticados por facções criminosas já estão claramente previstos no Código Penal. Segundo ele, as ações de organizações criminosas são mais fáceis de identificar e punir do que atos classificados como terrorismo.
