A bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados anunciou nessa terça-feira (26/5) que irá apresentar um destaque de preferência para votar a proposta da deputada Erika Hilton (Psol-SP) sobre o fim da escala 6x1, em vez do texto que atualmente tramita na comissão especial da Casa.
Os parlamentares mudaram de posição e passaram a defender o fim da jornada atual, além da adoção da jornada 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. O anúncio foi feito pelo líder da legenda, Sóstenes Cavalcante, durante discurso no plenário da Casa.
- Janones propõe emenda com escala 6x1 para deputados e senadores
- Fim da escala 6x1 terá transição de um ano e jornada de 40 horas, diz Motta
A sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro havia adotado, até então, postura contrária à proposta de redução da jornada de trabalho em discussão na Câmara. A PEC em análise na comissão prevê a adoção da escala 5x2, com dois dias de descanso semanais. Já a proposta de Erika Hilton estabelece a escala 4x3, ampliando o período de folga dos trabalhadores. A análise do texto começou nesta semana, mas a votação foi interrompida após pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), o que adiou a deliberação da matéria.
“Nós tomamos a decisão de amanhã, na hora da votação em plenário, apresentar destaque de preferência para votarmos a escala 4x3, porque nós somos a favor do trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família e não somos hipócritas e oportunistas como este governo", disparou Sóstenes no plenário.
Leia Mais
"Querem ajudar o trabalhador? Eu quero ver amanhã os petistas colocando a sua digital. [...] E eu quero aqui fazer um apelo ao PT, ao Psol, à esquerda e ao centro: a vocês dizem que defendem os trabalhadores, votem conosco pra gente acabar com essa malfadada escala 6x1 e aí nós veremos que Brasil nós viveremos", completou.
Nos bastidores, parlamentares do PL avaliam que a mudança de posição coloca pressão sobre o governo em uma pauta de forte apelo popular. O tema é tratado como prioritário pelo Palácio do Planalto e visto por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma possível bandeira para a campanha à reeleição.
Integrantes do governo temem que a movimentação da oposição atrase a tramitação da PEC. A expectativa de aliados do Planalto é que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantenha o acordo em torno do texto em discussão e barre o avanço da proposta defendida pelo PL, que enfrenta maior resistência do setor produtivo.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Estratégia repetida
A movimentação repete estratégia usada anteriormente pelo PL em pautas de forte apelo popular. No ano passado, durante a tramitação da proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o partido apresentou emenda para elevar o benefício a quem recebe até R$ 10 mil mensais, mas a iniciativa não avançou.
