(FOLHAPRESS) - Desde que foram reveladas as conversas entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o senador e presidenciável deixou de informar previamente três compromissos da sua pré-campanha.

Questionada a respeito da agenda do senador, sua equipe não divulgou informações sobre as viagens de Flávio a São Paulo, na última quarta-feira (20), e aos Estados Unidos, nesta segunda-feira (25).

Na sexta-feira (22), a participação do senador na AgroBrasília, uma feira de agronegócio, foi divulgada apenas após a visita. Flávio registrou declarações feitas no evento em suas redes sociais.

Naquele momento, a pré-campanha do senador passava por mudanças na comunicação, o que prejudicou a divulgação prévia do evento. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a crise desencadeada pela exposição das conversas pelo Intercept Brasil levou à substituição do marqueteiro da pré-campanha, com a saída de Marcello Lopes, que ocupava esse posto até a última quarta-feira.

A respeito da viagem a São Paulo, assessores e aliados do senador afirmaram que seus compromissos não eram públicos e, por isso, não seriam divulgados. A agenda, no entanto, tinha relação com a pré-campanha - Flávio teria encontros com empresários e integrantes do mercado financeiro na tentativa de explicar sua relação com Vorcaro e aplacar eventuais desconfianças.

Nos bastidores, políticos próximos ao senador afirmaram que o sigilo foi um pedido dos participantes do encontro, que não queriam a divulgação de que participariam de reuniões com Flávio.

 


Na quinta-feira (21), após os encontros, o coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), foi questionado a respeito da agenda e disse que não poderia dizer, mesmo posteriormente. "As agendas que nós marcamos aconteceram, com as pessoas que nós imaginávamos, e as coisas estão andando como devem andar", afirmou.

No mesmo dia, Flávio não respondeu a jornalistas a respeito de uma possível agenda nos EUA, onde desembarcou nesta segunda, com o presidente Donald Trump. O senador foi perguntado se recebeu algum convite, se pediu alguma reunião com o americano e qual seriam seus compromissos no país, mas não respondeu.

Ele apenas negou que tivesse feito algum pedido à Casa Branca e declarou que a Presidência dos EUA é que deveria responder sobre o possível encontro -até agora não confirmado pelas autoridades americanas. Flávio chegou a falar com a imprensa em inglês, ao deixar o Senado, dizendo que a Casa Branca deveria ser procurada.

"Call the White House and ask them what is this, if it is true or it is false [Liguem para a Casa Branca e perguntem o que é isso, se é verdade ou mentira]", disse.

A assessoria do senador tampouco deu informações a respeito do objetivo da viagem de Flávio aos EUA.

Na noite desta segunda, a assessoria foi procurada pela Folha para comentar os motivos de não divulgação de compromissos do senador, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

A Casa Branca divulgou a agenda do presidente americano para esta terça-feira (26) sem informar um encontro específico com Flávio. Trump passará boa parte da manhã realizando exames médicos e odontológicos.

No início da tarde, retorna à Casa Branca, onde terá duas reuniões internas previstas. À noite, participa de um jantar. A agenda não significa que um eventual encontro entre o republicano e o pré-candidato possa acontecer, mas torna improvável uma reunião formal apenas entre as equipes do presidente e do senador.

Como comparação, quando Trump se reuniu com Lula, há três semanas, o encontro entre os presidentes foi detalhado na agenda oficial e confirmado pela Casa Branca ainda na antevéspera.

Flávio informou ao Senado que estaria fora do país de 25 a 28 de maio, mas não explicitou o motivo. Em ocasiões anteriores, ele solicitou licença durante o período de ausência e descreveu em linhas gerais o objetivo da viagem - documento que não consta no site do Senado desta vez.

A equipe de Flávio argumenta que apenas agendas públicas são divulgadas, o que não é o caso dos compromissos em São Paulo e nos Estados Unidos. Além disso, afirmam que as reuniões do senador podem vir a ser divulgadas em algum momento.

Desde que anunciou que concorreria à Presidência da República, em dezembro passado, Flávio não tem deixado de atender a imprensa em compromissos públicos. Em geral, sua agenda também era divulgada por sua equipe.

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Colaborou Isabella Menon, de Washington

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