O PT está em compasso de espera diante da indefinição do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, movimento que tem travado a estratégia do partido no segundo maior colégio eleitoral do país.

Em conversa reservada com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, Pacheco indicou que não pretende ser candidato, embora tenha deixado aberta a possibilidade de uma última tratativa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as eleições em Minas Gerais.

O anúncio oficial sobre seu futuro político ainda não foi feito, mas está previsto para o fim de maio. No entanto, aliados já tratam sua desistência como provável.


Nos bastidores de Brasília, também surgiram especulações sobre um provável destino de Pacheco fora da disputa eleitoral em Minas, como uma indicação ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A hipótese passou a ser ventilada, na semana passada, com a possível saída do ministro Bruno Dantas, que estaria de malas prontas para assumir um cargo na iniciativa privada, deixando em aberto uma vaga para o TCU, cuja indicação, dessa vez, será feita pelo Senado, onde Pacheco tem aliados e facilidade para ser escolhido para o cargo.

Lula vinha apostando na candidatura de Pacheco para estruturar um palanque competitivo em Minas Gerais. A avaliação é de que o senador tem condições de atrair partidos de centro e ampliar a base de apoio à candidatura de Lula à reeleição, em um estado considerado decisivo no pleito nacional.

No entanto, a falta de definição e o vaivém de sinais de Pacheco, que ora dá mostras de que será candidato, ora recua, compromete a montagem de uma frente ampla no estado, dificultando a adesão formal de partidos ao palanque lulista.

Sem composição, o receio entre os petistas é de isolamento político em uma disputa considerada estratégica.

Encontro 

O PT mineiro marcou para 30 de maio um encontro estadual no qual pretende avançar nas deliberações sobre as eleições. A data coincide com o prazo pedido por Pacheco para decidir seu destino, que pode ser selado também a partir de uma reunião com Lula. O presidente, segundo aliados, tentará por uma última vez convencer o senador a assumir a candidatura. 

A avaliação predominante no entorno de Lula é que Minas Gerais exige uma definição rápida. Sem um nome competitivo ao governo, cresce o risco de o presidente enfrentar dificuldades para consolidar apoio local.

Um dos entraves que teriam sido apontados por Pacheco para desistir da disputa é a dificuldade de montar um palanque forte no estado, o que está diretamente ligado à modelagem da campanha de Lula em nível nacional. 

O presidente não deve contar com a mesma base de apoio que sustenta seu governo e o senador precisa no estado de partidos de centro, já que o PT, em Minas Gerais, enfrenta resistência e uma campanha ferrenha dos adversários, que tem como mote o desempenho do partido durante a gestão de Fernando Pimentel (PT).

O ex-governador petista não conseguiu se reeleger e não chegou nem a ir nem para o segundo turno das eleições em 2018, e deixou o cargo com baixa popularidade.

Apesar de a legislação não exigir que as alianças nos estados reflitam a nacional, o cenário da disputa presidencial impacta os acordos regionais e ainda está indefinido.

As rusgas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com Lula podem tirar o partido da coligação nacional e também em Minas, onde o apoio da federação União-PP é disputado devido ao tempo no horário eleitoral e também do apoio do prefeito da capital, Álvaro Damião (União), que preside a federação no estado. 

Outro nomes 

Diante do impasse, o PT passou a trabalhar com cenários alternativos. Um dos nomes que voltou a circular é o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que mantém recall eleitoral após sua gestão na capital mineira, entre 2017 e 2022, quando deixou o cargo para disputar contra Romeu Zema (Novo), que acabou reeleito em primeiro turno. 

Apesar disso, sua relação com o campo lulista ainda é vista como incerta, especialmente diante dos movimentos de Kalil, que reivindica autonomia na montagem de sua chapa. Há até mesmo uma desconfiança se ele será mesmo candidato ao governo ou se sua pré-campanha é um ensaio para uma disputa pelo Senado.

Outra possibilidade em análise é a do empresário Josué Alencar, filiado ao PSB mineiro. Filho do ex-vice-presidente José Alencar, ele passou a ser considerado uma alternativa viável por reunir perfil moderado e trânsito entre setores empresariais e políticos.

Ainda assim, sua eventual candidatura dependeria de um alinhamento mais claro com o Planalto e de garantias de sustentação partidária. O PT também já chegou a cogitar apoio ao ex-vereador Gabriel Azevedo, pré-candidato pelo MDB, mas segue travado em função da hesitação do senador.

As convenções para escolha dos candidatos e celebrações de alianças, de acordo com o calendário da Justiça Eleitoral, devem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. E o registro da candidatura até o dia 15 de agosto.

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No dia seguinte, começa oficialmente a campanha. O partido, entretanto, não pretende esperar até essa data para definições e espera que até o dia da convenção estadual da legenda, daqui a cerca de duas semanas, essa novela esteja concluída.

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