O senador Sergio Moro (PL-PR) criticou, nessa sexta-feira (15/5), a troca no comando das investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e levou à quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Em publicação no X, antigo Twitter, o ex-juiz afirmou que “o Governo Lula deve explicações sobre a troca do delegado que investigava o roubo do INSS e as suspeitas sobre o Lulinha”. A manifestação foi feita ao compartilhar uma reportagem sobre a mudança na coordenação dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF). 

Até então, os casos eram acompanhados pela Coordenação-Geral de Polícia Fazendária. Agora, passaram para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), ligada à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.

Segundo a PF, a alteração ocorreu para dar “maior eficiência e continuidade” às investigações, já que a Cinq possui estrutura permanente voltada a operações de maior complexidade e com tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação também afirmou que os delegados responsáveis pelos inquéritos foram mantidos.

A declaração de Moro provocou reação do deputado federal André Janones (Rede-MG), que associou a fala do senador ao período em que ele integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Cala a boca bandido! Você é a favor de interferência na PF desde que passou pano pro Bolsonaro! Você não tem moral nenhum”, escreveu Janones nas redes sociais.

A troca de acusações ocorre em meio à reaproximação política entre Moro e Bolsonaro. O senador se filiou ao PL e é apontado como candidato ao governo do Paraná com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

A crítica de Janones faz referência ao rompimento entre Moro e Bolsonaro em 2020, quando o então ministro da Justiça deixou o governo acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. À época, a saída foi motivada pela exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

Durante o anúncio da demissão, Moro afirmou que Bolsonaro queria indicar para o comando da corporação uma pessoa de sua “confiança pessoal” para ter acesso a informações e relatórios de inteligência. O ex-ministro disse ainda que a troca poderia comprometer a autonomia das investigações conduzidas pela PF.

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“Não posso concordar”, declarou Moro na ocasião, ao afirmar que havia pressão do então presidente para mudanças no comando da Polícia Federal sem justificativa técnica.

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