Na abertura da entrevista coletiva na embaixada brasileira em Washington D.C., o presidente Lula (PT) afirmou que discutiu temas que são “tabu” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o combate ao crime organizado.

O petista, assim como os cinco ministros que o acompanharam em comitiva, avaliou muito positivamente o encontro: “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica do Brasil com os Estados Unidos”

Encontro de Lula e Trump

“Nós resolvemos discutir aqueles assuntos que pareciam tabus, como a questão do crime organizado. Eu disse que muitas vezes os EUA falavam em combater o crime organizado tentando ter base militar nos outros países. Na verdade, para deixar de plantar ou traficar o que a gente chama de droga, é preciso criar alternativas econômicas nesses países”, disse.

Lula afirmou que não foi discutida a possibilidade de classificar as facções criminosas como terroristas. Por outro lado, propôs um “grupo de trabalho” com todos os países da América Latina para combater o crime organizado.

“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo. Nós não temos assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e nossa soberania”, disse.

Reaproximação em curso

A reunião na Casa Branca é o mais recente capítulo de uma reaproximação gradual entre os dois presidentes. Após um período de tensão, Lula e Trump voltaram a se aproximar na Assembleia-Geral da ONU, em setembro de 2025, e em seguida tiveram um encontro privado na Malásia, em outubro. Pouco depois, o “tarifaço” adicional de 40% imposto pelos EUA a produtos brasileiros teve os efeitos reduzidos com a retirada de diversos itens da lista de incidência de taxação.

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A agenda do encontro envolve temas que vão além do comércio bilateral. Minerais críticos e terras-raras – insumos estratégicos para a indústria de tecnologia e defesa –, além da cooperação no combate ao crime organizado transnacional, figuram entre os principais pontos discutidos. O Brasil tenta ampliar acordos de inteligência e compartilhamento de dados com autoridades norte-americanas, enquanto Washington avança em uma intensa busca por fornecedores alternativos de minerais raros fora da órbita chinesa.

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