O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) protagonizou a principal alta no desempenho digital entre os presidenciáveis monitorados pela Datrix em abril, mas ainda permanece atrás de nomes como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) no ranking geral de presença política nas redes sociais.

Segundo o novo levantamento do Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP), Zema registrou crescimento de 56,6% em abril, saltando de 13,49 pontos para 21,13 pontos e passando da quinta para a quarta colocação no ranking. O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho nas redes próprias, onde o governador triplicou o número de publicações, passando de 62 para 187 postagens no período.

Apesar da alta, Zema ainda fica atrás de Flávio Bolsonaro, líder do índice com 27,86 pontos, de Lula, que aparece em segundo lugar com 22,66, e de Renan Santos, terceiro colocado com 21,19 pontos. A diferença entre o mineiro e Renan foi de apenas 0,06 ponto.

O levantamento aponta que o crescimento de Zema foi construído “de dentro para fora”, com forte ampliação da mobilização da própria base digital. A nota do governador nas redes próprias cresceu 121,2%, chegando a 19,91 pontos. Além do aumento no volume de publicações, a taxa de engajamento também avançou, passando de 0,21% para 1,45%. Segundo a Datrix, o crescimento da eficiência por postagem foi de 671%.

O desempenho, no entanto, não foi acompanhado pelo chamado “mar aberto”, indicador que mede a repercussão fora da bolha de apoiadores, considerando menções de jornalistas, influenciadores, veículos de imprensa e outros atores políticos. Embora o volume de menções a Zema tenha aumentado de 2.418 para 9.456 em abril, o tom das publicações piorou, reduzindo a nota final do governador nesse recorte.

“Zema acertou o tom e o timing dentro de casa. O próximo desafio é converter essa mobilização em percepção positiva fora da própria base”, aponta o relatório, que cita críticas à gestão de Minas Gerais e às propostas defendidas pelo ex-governador, como a defesa do trabalho infantil, privatização de estatais, entre outros.

Na avaliação de João Paulo Castro, CEO e cofundador da Datrix, Zema conseguiu reorganizar sua presença digital, mas ainda enfrenta dificuldades para converter mobilização interna em projeção nacional consolidada. “Zema arrumou a própria casa: triplicou publicações, mais que dobrou a nota nas redes próprias e construiu base com eficiência. Mas o mar aberto ainda não acompanhou”, afirmou.

Zema nas redes

Como mostrou o Estado de Minas, o ex-governador Romeu Zema tem alterado o eixo de sua atuação política ao intensificar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos ministros da Corte, em movimento que marca uma mudança em relação ao foco anterior, centrado no governo do presidente Lula e ao PT.

A intensificação das publicações também ocorreu em meio à repercussão de um pedido do ministro Gilmar Mendes para que o ministro Alexandre de Moraes incluísse Zema no inquérito das fake news, após o compartilhamento de um vídeo com sátira aos integrantes do STF.

As publicações integram uma estratégia de comunicação estruturada pela equipe do pré-candidato, sob o título “Os Intocáveis”, expressão utilizada por Zema para se referir aos ministros do Supremo Tribunal Federal e, em alguns momentos, também a outras autoridades.

Lula e Flávio

O índice também mostra sinais de desgaste entre outros nomes da direita. Flávio Bolsonaro manteve a liderança pelo quarto mês consecutivo, mas registrou queda de 14,4% em relação a março.

“Apesar do desgaste, a liderança segue sustentada por elementos sólidos: viabilidade eleitoral atestada em pesquisas, capacidade de construção de coalizões e concentração de 39% do volume total de menções entre os presidenciáveis monitorados”, avalia.

Já Lula teve recuo de 3,8% e seguiu como o único presidenciável monitorado com saldo negativo no “mar aberto”, após a rejeição, pelo Senado, de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) de Jorge Messias.

“A rejeição da indicação ao STF pelo Senado foi o episódio definidor do mês — uma derrota institucional rapidamente convertida em munição digital pela oposição. O presidente encerra abril com o pior desempenho no mar aberto desde o início do monitoramento, mantendo o padrão que o limita há meses: forte dentro da própria base, pressionado fora dela”, explica João Castro.

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Metodologia

A metodologia do IDP considera quatro critérios para medir a performance digital dos presidenciáveis: engajamento nas redes próprias, repercussão externa, tonalidade das menções e volume de buscas em plataformas digitais. A pontuação varia de -100 a +100.

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