A dificuldade de capilaridade no interior mineiro, evidenciada na disputa de 2022, orienta agora os primeiros movimentos da pré-campanha de Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas. É por esse flanco que o ex-prefeito de Belo Horizonte começa a organizar sua estratégia e inicia, na próxima semana, um périplo por cidades mineiras, com atenção particular a polos regionais e à Região Metropolitana. A largada das viagens está prevista para a quarta-feira (13/5), começando por Betim, na Grande BH.
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Na sequência, o pré-candidato deve passar por Itabira, na Região Central, e Lavras, no Sul de Minas. O roteiro inclui ainda, no fim do mês, incursão pelo Vale do Jequitinhonha. Inicialmente, o giro começaria justamente por essa região, com visitas a Almenara e Jequitinhonha a partir desta sexta-feira (8/5). Os compromissos, contudo, foram desmarcados após a morte de Fernando Moreira Souto, filho do prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto (PDT), correligionário de Kalil. Ele estava entre as vítimas do acidente aéreo registrado na segunda-feira em Belo Horizonte. Diante da tragédia, a equipe do pedetista adiou o início das viagens.
No pleito de 2022, quando enfrentou Romeu Zema (Novo) e foi derrotado ainda no primeiro turno, Kalil venceu na maior parte dos municípios do Vale do Jequitinhonha, consolidando ali um dos seus principais redutos fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na cidade de seu correligionário, por exemplo, alcançou 61,05% dos votos válidos, ante 33,97% de Zema.
O roteiro de viagens é articulado em paralelo a reuniões na capital com lideranças partidárias e representantes da sociedade civil de diferentes regiões do estado, conforme apurado pelo Estado de Minas. A ideia é que o giro pelo interior aconteça já ladeado por apoios locais, antecipando a formação de palanques regionalizados. Ao EM, o presidente estadual do PDT, Mário Heringer, sinalizou disposição de acompanhar o pré-candidato. “Onde puder irei com ele”, afirmou.
O desenho da pré-campanha também dialoga com o calendário da atual gestão. O governador Mateus Simões (PSD) tem concentrado parte de suas ações fora da capital nos primeiros 100 dias de mandato, em uma tentativa de consolidar presença no interior e herdar o capital político do ex-governador Romeu Zema (Novo). Natural do Triângulo Mineiro, Zema construiu ali uma de suas bases mais sólidas, que lhe garantiu ampla vantagem em 2022.
Naquele pleito, Kalil teve desempenho relativamente competitivo na capital, mas encontrou maior resistência fora dela. Enquanto Zema foi reeleito no primeiro turno com 56,18% dos votos válidos no estado, o então candidato apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 35,08%. Em Belo Horizonte, a diferença foi mais estreita: 46,56% para Zema contra 42,54% para Kalil. A capital era considerada o principal bastião eleitoral do ex-prefeito, que, em 2020, havia sido reeleito em primeiro turno com 63% dos votos.
No interior, contudo, Kalil escorregou. Além do Triângulo, Sul de Minas, Alto Paranaíba, Centro-Oeste e Noroeste do estado foram majoritariamente base de Zema. Kalil encontrou ressonância no Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, onde chegou a superar o então governador Romeu Zema em diversos municípios. No Norte, em particular, o ex-prefeito apresentou bom desempenho na maior parte das cidades e conseguiu impor vantagem em várias delas. Em Januária, por exemplo, alcançou 47,76% dos votos válidos, embora tenha sido superado no principal polo regional, Montes Claros, onde registrou 31,52%.
Esse quadro pode agora servir como base para o reposicionamento do pedetista. A intenção, segundo interlocutores ouvidos pelo EM, além de ampliar a presença territorial, é também ajustar a narrativa. Nas agendas, Kalil deve reforçar a imagem de gestor construída à frente da prefeitura de Belo Horizonte, destacando entregas administrativas como eixo central do discurso. A linha já foi esboçada no primeiro programa pré-eleitoral do partido, veiculado na última semana nas redes sociais, em que o ex-prefeito contrapõe resultados concretos a críticas à atual gestão estadual.
Usando sua gestão como vitrine, em um vídeo de 30 segundos, o ex-prefeito cita algumas obras e ações de sua administração, como a abertura do Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro (Hospital do Barreiro), em suas palavras, “em tempo recorde”. "Vamos fazer em Minas o que fizemos em Belo Horizonte", afirma Kalil, que foi prefeito de 2017 a 2022.
Pesquisas
Kalil figura entre os principais nomes na disputa em pesquisas eleitorais. A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última semana, aparece, nos cenários estimulados, com índices entre 14% e 18%, ocupando a segunda colocação, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Em simulações sem a presença de Cleitinho, o ex-prefeito surge em empate técnico com outros potenciais concorrentes, como o senador Rodrigo Pacheco (PSB).
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Além do corpo a corpo com prefeitos, lideranças comunitárias e movimentos sociais, o périplo pelo interior busca criar densidade política para as alianças ainda em negociação. Há tratativas em curso com Psol e Rede Sustentabilidade, que já sinalizaram proximidade com o candidato, embora sem definição formal. O PDT também mantém interlocução com outras siglas. O avanço dessas conversas depende, ainda, da eventual candidatura de Pacheco, que sinalizou na terça-feira prazo até o fim do mês para definir a sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.
