Durante a manifestação do Dia do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte, o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas Gerais (CUT-MG), Jairo Nogueira, criticou o atual modelo de organização das jornadas de trabalho no Brasil e defendeu o fim da escala 6x1, que começou a ser analisada nesta semana pela Câmara dos Deputados.

Para ele, o modelo vigente de seis dias de trabalho e apenas um de folga impõe rotinas exaustivas que impactam diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Ele citou o fato de que, na escala 6x1, o descanso muitas vezes é concedido em dias como segunda-feira, o que, segundo Nogueira, prejudica especialmente as mulheres e o convívio familiar.

Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
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Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
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Reginaldo Lopes (PT-MG) defende aprovação da escala 6x1 antes das eleições e rechaça compensação financeira para empregadores Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Manifestação do Dia do Trabalhador realizada nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

"A organização atual da jornada não prioriza o trabalhador. É um modelo que impõe desgaste constante e afeta diretamente a vida das pessoas", afirmou.

O dirigente sindical ressaltou que o formato, ainda comum no país, está defasado em relação a tendências internacionais, onde já há avanços na revisão das jornadas de trabalho.

Mudanças

O dirigente defendeu ainda a adoção de escalas mais equilibradas, com dois dias de folga por semana ou até mesmo o regime de quatro dias de trabalho seguidos por três de descanso. "Com a tecnologia e a organização atual do trabalho, é plenamente possível reduzir a jornada sem reduzir salários — e isso pode, inclusive, aumentar a produtividade", disse.

O presidente da CUT-MG também destacou a importância do tempo livre para atividades pessoais, como lazer, estudo e convivência familiar. Segundo ele, a limitação a apenas um dia de descanso semanal impede que isso aconteça, já que esse período costuma ser consumido por tarefas domésticas ou outros afazeres.

Em sua avaliação, a jornada com apenas um dia de descanso impacta a saúde mental dos trabalhadores, com aumento de casos de esgotamento e a consequente queda de produtividade.

O fim da jornada 6X1 também foi defendida pelo diretor do departamento jurídico do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região, Osvaldo Gonçalves Filho. Segundo ele, essa é uma demanda histórica da categoria e está diretamente ligada à qualidade de vida dos trabalhadores que, segundo ele, somam cerca de 13 milhões de pessoas em todo o país.

Com mais de 37 anos de atuação como comerciário, ele destacou que a rotina exaustiva imposta pelo modelo atual impede o convívio familiar. “Nós não vimos os nossos filhos crescerem. Trabalhamos exaustivamente”, disse.

Segundo ele, a reivindicação pelo fim da escala 6x1 reflete uma mudança na forma como os trabalhadores enxergam suas condições de trabalho. “Hoje queremos uma liberdade com as nossas famílias”, afirmou.

O dirigente também criticou o que classifica como exploração por parte de empregadores. “O grande problema dos comerciários é que eles exploram o trabalhador e querem produtividade. E isso não teremos nunca, porque o trabalhador cansado não consegue produzir”, declarou.

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O diretor ressaltou que a pauta não é isolada e representa milhões de trabalhadores em todo o país. “Somos uma classe de mais de 13 milhões de comerciários no Brasil inteiro. Temos que ser escutados, não podemos ser ignorados”, concluiu.

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