Pacheco sobre decisão dos EUA contra PCC e CV: ‘Banalização de terrorismo’
Senador defende soberania nacional e afirma que combate às facções deve ser feito pelo Estado brasileiro, sem "banalizar" o conceito de terrorismo
compartilhe
SIGA
O senador Rodrigo Pacheco (PSB) considera que a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas foi “equivocada” e que esses grupos devem ser combatidos pelo Brasil, como estado soberano, com instrumentos próprios.
A afirmação foi feita durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (29/5), a mesma em que ele descartou sua participação na disputa pelo governo de Minas Gerais nas eleições de outubro deste ano. O senador também afirmou que 2026 é seu último ano na vida política.
Leia Mais
A decisão da Casa Branca foi divulgada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em comunicado oficial, feito na noite dessa quinta-feira (28/5). Com isso, as organizações serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. Antes disso, ambos os grupos já foram denominados “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
"O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros", destaca o comunicado.
Para Pacheco, essa avaliação deve ser feita pela nação brasileira e, quando outro país o faz, há o que ele entende como uma “banalização do conceito de terrorismo”. Na visão dele, esses grupos são sofisticados e importantes de serem combatidos, mas que os métodos de combate devem abranger táticas contra organizações criminosas, e não métodos próprios contra o terrorismo.
O senador argumentou que a decisão foi equivocada e que “caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer a sua tratativa com os Estados Unidos e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas”. Ele afirmou que espera que haja um encaminhamento melhor para a efetividade do combate, que “não se faz só no discurso”.
O argumento de Pacheco é que a soberania nacional deve ser respeitada. Segundo ele, o combate às organizações criminosas deve ocorrer por meio de “comandos constitucionais, comandos legais” e da efetividade do aparato do Estado brasileiro. “Definitivamente a soberania nacional precisa ser preservada”, afirmou.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O senador também rebateu a possibilidade de a classificação servir como justificativa para uma eventual intervenção estrangeira. “Essas organizações criminosas têm por objetivo a obtenção de lucro e de lucro fácil. É um aspecto eminentemente financeiro e econômico a partir de métodos criminosos”, declarou. Na avaliação de Pacheco, qualquer Estado soberano deve enfrentar esse tipo de organização com instrumentos próprios. “Classificá-los como terrorismo definitivamente não é um caminho que vejo como algo assertivo para esse combate”, disse.