‘Temos um incentivo à informalidade", diz Zema sobre Bolsa Família
Ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência afirma que beneficiários aptos ao trabalho deveriam perder o auxílio ao recusarem emprego formal
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Em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (9/5), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirma que o Bolsa Família estaria contribuindo para a permanência dos beneficiários na informalidade. Na gravação, o pré-candidato à Presidência defende que pessoas aptas ao trabalho deixem de receber o benefício caso recusem oportunidades de emprego formal.
“Não estuda, não trabalha, vive as custas do governo e de vez em quando faz um bico para complementar a renda", disse Zema. Na legenda da publicação, ele afirmou ainda que “o marmanjão que não arranja um emprego qualificado e fica só fazendo bico” não deveria continuar recebendo auxílio do governo. "Hoje nós temos um incentivo a essa informalidade, a perpetuação dessa situação”, comenta
Segundo o governador, a proposta não seria acabar com o Bolsa Família, mas direcionar o programa “para quem precisa” e estimular qualificação profissional. Ele também afirmou que “emprego tem” e citou a geração de vagas em Minas Gerais durante sua gestão.
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Criado em 2003, o Programa Bolsa Família atende famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único. O benefício exige cumprimento de contrapartidas nas áreas de saúde e educação, como frequência escolar e vacinação infantil. Atualmente, o programa também possui mecanismos chamados de “regra de proteção”, que permitem a permanência temporária da família no benefício mesmo após aumento da renda.
Dados contrapõem fala de Zema
A relação entre o Bolsa Família e a inserção no mercado de trabalho é tema recorrente do debate público, especialmente em períodos eleitorais. Estudos e levantamentos sobre o programa, porém, indicam que o benefício pode contribuir para a formalização do emprego e que casos de recusa a vagas de trabalho costumam estar associados a condições consideradas precárias, como baixos salários, instabilidade e ausência de direitos trabalhistas.
Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que grande parte das vagas formais abertas no país vem sendo ocupada por pessoas inscritas no Cadastro Único, grupo que inclui beneficiários do programa.
Segundo cruzamento de dados do governo federal com o Caged, cerca de 75% das vagas formais criadas entre janeiro e abril de 2025 foram preenchidas por inscritos no CadÚnico. Outro levantamento divulgado pelo órgão apontou que beneficiários do Bolsa Família responderam por mais de 700 mil novos postos formais de trabalho no primeiro semestre de 2025.
Um estudo publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no ano passado, identificou que o aumento no número de beneficiários do Bolsa Família pode estar associado à redução do emprego formal em determinados contextos e grupos sociais. Os autores, porém, observaram também que o aumento do valor das transferências teve efeito positivo sobre a formalização do trabalho, especialmente entre trabalhadores negros e no setor de serviços.
Já estudos divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Ministério do Desenvolvimento Social indicam que o programa não estimula beneficiários a abandonarem oportunidades de trabalho. Segundo essas análises, a renda mínima oferecida pelo benefício teria permitido a recusa de ocupações extremamente precárias, marcadas por baixa remuneração e instabilidade.
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Especialistas em políticas públicas também apontam que uma parcela significativa dos beneficiários já exerce algum tipo de atividade remunerada, principalmente no setor informal. O próprio desenho do programa permite que trabalhadores de baixa renda continuem recebendo o benefício enquanto permanecem abaixo dos limites estabelecidos pelo Cadastro Único.