A irritação do senador Cleitinho (Republicanos) com críticas vindas do próprio campo político já circulava nos bastidores, mas ganhou forma pública nesta terça-feira (14). O motivo: a tentativa de associá-lo à esquerda por causa de sua defesa do fim da escala 6x1.

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O movimento não partiu da oposição, mas de setores da própria direita em Minas Gerais, especialmente ligados ao governador Mateus Simões (PSD), que se articula como nome para a disputa ao governo em 2026.

Nos bastidores, a leitura é de que a pauta trabalhista virou um ponto de desgaste calculado. Interlocutores  avaliam que, ao encampar o debate sobre jornada de trabalho, Cleitinho abriu espaço para ser enquadrado como alguém que flerta com agendas historicamente vinculadas à esquerda, um rótulo sensível dentro de um eleitorado majoritariamente conservador.

A resposta veio no plenário. Sem citar diretamente os críticos, o senador reafirmou sua identidade e  reposicionou o discurso. “Eu sou de direita e sou humano”, disse. Cleitinho também fez duras críticas ao Estado, ao Congresso e aos custos da máquina pública.

A reação não é isolada e ocorre em meio a uma disputa silenciosa e crescente por protagonismo dentro da direita mineira. Com mais de um nome colocado no tabuleiro, aliados de diferentes grupos passaram a atuar para consolidar narrativas e delimitar espaços antes mesmo da definição formal das candidaturas.

Nesse contexto, colar em Cleitinho o rótulo de “esquerda” é visto como uma estratégia de desgaste político. Fontes ouvidas pela coluna avaliam que a movimentação busca fragilizar sua posição junto ao eleitorado conservador e dificultar uma eventual unificação do campo ainda no primeiro turno.

Do lado do senador, a tentativa é clara: deslocar o debate do eixo ideológico para o campo moral e econômico. Ao defender cortes de gastos e criticar privilégios da classe política, Cleitinho tenta sustentar que sua posição sobre a escala 6x1 não altera seu alinhamento à direita, mas dialoga com uma agenda de apelo popular.

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O episódio expõe uma fissura que deve se aprofundar. A disputa em Minas deixou de se limitar a adversários externos e passou a incorporar embates internos, nos quais divergências de discurso rapidamente se transformam em instrumento político.

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