O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), nomeou a defensora pública Caroline Loureiro Goulart Teixeira para o cargo de defensora pública-geral do estado no biênio 2026-2028. A decisão foi tomada a partir da lista tríplice encaminhada pela Defensoria Pública de Minas Gerais, conforme prevê a legislação.

Em nota oficial, o chefe do Executivo estadual destacou o papel institucional da Defensoria Pública na garantia de direitos e no acesso à justiça. Segundo ele, a nova titular reúne condições para conduzir a instituição com “competência, compromisso público e sensibilidade social”.

A nomeação encerra o ciclo de gestão da defensora pública Raquel Gomes de Sousa da Costa Dias, que esteve à frente do órgão por dois mandatos. O governo estadual agradeceu à ex-dirigente pela atuação e pela contribuição ao fortalecimento institucional da Defensoria, além da parceria mantida ao longo de sua gestão.

Pela legislação, a posse deve ocorrer em até cinco dias úteis após a nomeação, o que projeta a entrada de Caroline no cargo até o próximo dia 10 de abril.

A nova defensora-geral chega ao posto após vencer a eleição interna da categoria, etapa que antecede a nomeação formal pelo Executivo. O modelo, em vigor desde 2003, substituiu o antigo sistema de escolha direta pelo governador e ampliou a autonomia da instituição.

Desde então, a chefia da Defensoria passou a refletir a decisão dos próprios integrantes da carreira, em um arranjo que consolidou maior independência administrativa e política.

Com trajetória construída dentro da própria instituição, Caroline integra o quadro da Defensoria desde 2005. Ao longo dos anos, acumulou experiência em áreas distintas, como família, sucessões e fazenda pública, com atuação voltada especialmente para demandas de saúde. Mais recentemente, ocupava a chefia de gabinete da atual gestão, posição que a colocou no centro da condução administrativa e que ajudou a pavimentar sua candidatura, apoiada por Raquel Costa Dias na disputa realizada em março.

Representatividade feminina

A mudança no comando ocorre no momento em que a Defensoria Pública de Minas se aproxima de completar cinco décadas de existência. Criada em 1976, a instituição se consolidou como um dos principais instrumentos de acesso à Justiça para a população de baixa renda.

Hoje, conta com 741 defensores públicos distribuídos pelo estado, responsáveis por oferecer assistência jurídica gratuita em áreas que vão do direito de família à saúde, passando por demandas contra o próprio poder público.

A sucessão também mantém uma característica pouco comum em outros órgãos do sistema de justiça mineiro: a presença feminina no topo da estrutura. Desde a adoção do modelo de eleição interna, a Defensoria acumulou uma sequência de gestões lideradas por mulheres, um contraste com instituições como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, que nunca tiveram uma mulher no comando.

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Em Minas Gerais, a sub-representação feminina em cargos de liderança se estende ainda ao Executivo estadual, que jamais elegeu uma governadora.

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