Pré-candidata à Presidência propõe uso obrigatório do SUS por políticos
"Que usem o mesmo postinho que nós", diz Samara Martins ao propor que políticos e seus familiares utilizem apenas serviços públicos de saúde e educação
compartilhe
SIGA
A pré-candidata à Presidência da República pelo Unidade Popular (UP), Samara Martins, defendeu, durante o lançamento de sua pré-campanha, a obrigatoriedade de que políticos e seus familiares utilizem exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede pública de ensino. A proposta, apresentada em discurso no evento, é tratada por ela como uma forma de alinhar decisões orçamentárias à realidade enfrentada pela população.
O tema surgiu quando a pré-candidata comentou uma reportagem que destacava a proposta como uma “obrigação” do uso do SUS por políticos. Ao reagir ao conteúdo, ela reforçou a ideia sem recuar do termo, afirmou que a intenção é exatamente essa e reiterou, de forma enfática, que defende que parlamentares utilizem o sistema público de saúde.
Dentista do SUS no Rio Grande do Norte e dirigente nacional da Unidade Popular (UP), Samara afirmou que há um distanciamento entre quem define o investimento em políticas públicas e quem depende diretamente desses serviços. “É muito fácil você dizer que vai garantir pouco recurso para a saúde quando você vai para os melhores hospitais, tem plano de saúde e não precisa enfrentar fila de UPA”, disse.
Leia Mais
Na avaliação da pré-candidata, a medida teria efeito direto sobre a priorização de recursos. Ao dependerem exclusivamente do sistema público, parlamentares e autoridades seriam pressionados, segundo ela, a ampliar investimentos e melhorar a estrutura de atendimento. “Que eles também usem o mesmo postinho que nós, que eles também usem as mesmas estruturas”, afirmou, ao mencionar dificuldades como demora para exames, falta de medicamentos e filas por atendimento.
A defesa também foi estendida à educação pública. Samara criticou o fato de as autoridades optarem por escolas privadas para seus filhos enquanto, segundo ela, há redução de investimentos e mudanças estruturais na rede pública.
No discurso, citou o contexto do Rio de Janeiro para criticar políticas de “militarização de escolas” e relatou episódios de conflito envolvendo estudantes. “Eles mandam os filhos para escolas particulares e sucateiam as nossas”, afirmou.
Segundo a pré-candidata, a proposta dialoga com a necessidade de ampliar o investimento público tanto na saúde quanto na educação, em contraposição ao que classifica como “priorização de interesses privados nesses setores”. “É uma questão que diz respeito à nossa vida”, disse.
Natural de Minas Gerais, Samara tem 38 anos e trajetória política iniciada no movimento estudantil secundarista. Ao longo dos anos, atuou em organizações sociais, em pautas ligadas à moradia, direitos das mulheres e da população negra, além de integrar iniciativas como frentes de mobilização social.
Em 2022, disputou a eleição presidencial como candidata a vice na chapa encabeçada por Leonardo Péricles, também da Unidade Popular. Na ocasião, a candidatura somou 53.519 votos no primeiro turno, o equivalente a 0,05% do total.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Até o momento, Samara é a única mulher colocada como pré-candidata à Presidência para 2026, mantendo a presença feminina na disputa, registrada em todas as eleições desde 2002, com nomes como Heloísa Helena, Marina Silva, Dilma Rousseff e Simone Tebet.