entrevista Ricardo Faria - prefeito de Contagem

"Eu quero construir pontes, construir consensos a favor da nossa cidade"

Recém-empossado, o novo prefeito de Contagem tem como desafios dar continuidade ao trabalho de Marília Campos e apoiá-la na candidatura ao Senado

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“Herdeiro” do executivo de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Ricardo Faria (PSD) assumiu a prefeitura do município no fim de março, depois que Marília Campos (PT) se “jogou” na disputa pelo Senado Federal. Fisioterapeuta de formação, o atual prefeito de Contagem já foi vereador, deputado estadual, secretário municipal de Saúde e secretário estadual de Turismo.

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Além de sua carreira, Ricardo Faria falou para o EM Minas da sua relação com Marília e o que pretende fazer por Contagem agora que está na titularidade do cargo. Ele também comentou se vai apoiar seu correligionário Carlos Viana (PSD) na disputa pelo Senado ou se vai abraçar a petista Marília Campos. O prefeito também falou sobre a relação com o governador Mateus Simões, que também é relativamente novo no quadro do PSD, partido que Ricardo “abraçou” quando ainda tinha uma orientação de centro-esquerda.disponível no canal do YouTube do Portal Uai.

Qual é o seu principal desafio agora à frente da prefeitura de Contagem?
O principal desafio é saber a responsabilidade de suceder uma mulher do tamanho da Marília Campos, que já governou a cidade por quatro vezes, que é uma referência política e que tem um legado. Isso nos enche de responsabilidade. Cabe a nós dar continuidade a esse trabalho que foi iniciado por ela com muita sabedoria, com muito propósito, para que a cidade continue avançando.

Como fisioterapeuta e ex-secretário de Saúde, pode-se considerar que a saúde em Contagem é uma preocupação para o senhor?
A Saúde sempre foi e sempre será uma preocupação e um grande desafio da nossa gestão. Pela experiência profissional e também por ter ocupado o cargo de secretário, as pessoas sempre me associam como um político que tem um compromisso com a saúde da cidade de Contagem. Nós temos avançado muito nesse sentido ao longo desses últimos anos à frente da prefeitura, principalmente no que diz respeito à urgência, emergência e atenção hospitalar. Quando assumimos a prefeitura, o setor de urgência e emergência era administrado por uma uma organização social, uma gestão que era um caos. Nós tivemos que fazer uma intervenção, criamos um modelo de gestão através de uma SSA, como se fosse uma paraestatal que governa as nossas cinco UPAs, o nosso hospital e a nossa maternidade. Nós avançamos muito, mas temos muito ainda o que fazer.

Quais são os problemas da Saúde hoje que merecem atenção em Contagem?
Nós temos uma demanda reprimida no que diz respeito às consultas especializadas, aos exames, alguns procedimentos e as cirurgias eletivas. Nós avançamos, por exemplo, nas cirurgias cardíacas, que já estão sendo feitas em Contagem por meio de uma parceria com a rede privada. Hoje, o paciente não precisa mais de ir para Belo Horizonte para realizar um cateterismo ou uma cirurgia cardíaca. O município já tem autonomia para realizar essa cirurgia em Contagem, através de uma parceria com o Hospital Santa Rita.


A ideia é que a gente avance nessa pauta das cirurgias de alta complexidade e nas cirurgias eletivas. E como a gente pretende fazer isso? Estabelecendo mais parcerias com a iniciativa privada do município, mas, ao mesmo tempo, trabalhando com linhas de cuidado. Não adianta a gente trabalhar numa perspectiva de ofertar a consulta especializada se a gente não tiver o exame e a cirurgia. Senão, você muda simplesmente o doente da fila. Ele sai da consulta, vai para a fila do exame, vai para a fila da cirurgia.

Falando sobre políticas públicas, não podemos deixar de falar sobre mobilidade . O que falta para entregar à população o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM)?
Falta entregar o último terminal, Várzea das Flores, que se soma a outros três terminais que estão prontos, além de outras 10 estações, e o sistema fica completo do ponto de vista da infraestrutura. Vale lembrar que outras obras de infraestrutura já foram realizadas, como as do asfalto novo e as duplicações de vários viadutos que já foram entregues. A gente tem um investimento de quase R$ 800 milhões. Todas essas obras já melhoraram o trânsito e a mobilidade da cidade.
O cidadão vai poder percorrer a cidade inteira pagando só uma passagem. Quando a gente fala do SIM, ele tem um impacto não só em Contagem, mas em toda a região metropolitana, porque ele é um sistema integrado metropolitano. O cidadão mora em Contagem, trabalha em Belo Horizonte, tem o seu lazer em Betim, portanto, ele integra a região metropolitana.

Contagem é cortada por várias grandes rodovias. Isso também é um desafio?
A cidade é completamente fragmentada, cortada pela BR-381, pela BR-040 e a Via Expressa. Portanto, a cidade é desintegrada. O SIM cumpre também esse papel de integrar a cidade, para que se conecte de uma maneira mais fácil.

Como vai ficar a questão do Rodoanel na sua gestão? Existe uma dificuldade por conta do traçado, que atrapalharia Contagem?
É importante dizer que o nosso governo não é contra o Rodoanel. Nós entendemos que é uma rodovia importante, mas temos um parecer contrário a esse traçado que foi apresentado. Inclusive, Contagem tem a oferta de um novo traçado para o governo do estado. Nós estamos à disposição para sentar à mesa e dialogar sobre um traçado que a gente acredita que seja mais barato e ambientalmente mais sustentável.

Contagem teve um dos melhores resultados do país em um índice de criança alfabetizada. A educação é um orgulho, já está num patamar legal?
A educação sempre é um tema importante. É através dela que a gente transforma, e é sempre uma obrigação do gestor trabalhar essa pauta. Ao longo desses dois últimos mandatos, a gente trabalhou muito a valorização dos nossos trabalhadores. Foram quase 38% de aumento no salário dos nossos professores. Também a valorização da infraestrutura, a reforma das nossas escolas, a questão da materialidade, uniforme escolar, a melhoria no ambiente das nossas escolas.


O grande desafio agora é trabalhar a melhoria no processo de ensino e aprendizagem. A gente lançou um programa que é o Pipa (Programa de Incentivo à Permanência e Aprendizagem), que trabalha a questão do reforço escolar, para que possamos garantir que o aluno seja alfabetizado, tenha garantia da aprendizagem na série adequada.


Essa é uma grande marca que queremos deixar para a educação do município. Além das obras, a Marília deixou um conjunto de quase 10 Cemeis (Centros Municipais de Educação Infantil) em fase de licitação para que possamos construir e garantir a educação infantil de qualidade para as nossas crianças da primeira infância em Contagem.

Qual seria um ponto atual em Contagem que precisa ser visto, que, talvez, não tenha recebido uma atenção adequada nos últimos anos?
Precisamos dar uma atenção especial à população em situação de rua. Essa é uma demanda que envolve as grandes metrópoles do mundo inteiro. É uma população que tem direitos e a gente aposta sempre no diálogo para buscar soluções. Não acreditamos em nenhum tipo de limpeza urbana, precisamos trabalhar dialogando, em parceria com outras entidades que existem na cidade.

E como o senhor vê hoje a cidade?
É a terceira cidade mais populosa de Minas Gerais, com quase 700 mil habitantes. Uma cidade pujante, que já teve o título de coração da indústria mineira, mas hoje tem uma forte presença também no setor de serviços. Uma matriz econômica muito diversa. É uma cidade fundamental para o desenvolvimento econômico e social do estado de Minas Gerais.

As indústrias ainda se atraem por Contagem?
Nós temos modernizado muito a gestão. Ao mesmo tempo, modernizamos algumas legislações para criar um ambiente favorável para que o empresário possa empreender na cidade. Por exemplo, o Código de Posturas, Código de Obras. Na hora de fazer uma consulta de viabilidade, um relatório de informação básica para saber quais são as atividades permitidas para empreender naquele endereço, que demorava 30 dias, hoje é on-line, na hora.


Temos também a perspectiva do “Alvará já”, o alvará na hora. Tudo isso vai criando um ambiente favorável para que o empresário possa empreender na cidade. Se hoje temos uma cartela de mais de R$ 1,5 bilhão de investimento público, nós temos R$ 10 bilhões de investimento privado. E isso é fundamental, porque é o investimento privado que gera empregos formais, que gera arrecadação e o progresso da nossa cidade.

Como fica o apoio à candidatura de Marília Campos ao Senado, sendo que Carlos Viana é filiado ao seu partido?
A cidade entendeu que ganha muito com a candidatura da Marília, e eu vou estar no projeto político dela. As pessoas perguntam sobre a questão partidária. A política é muito dinâmica. Quando eu me filiei ao PSD, o partido tinha uma conjuntura política. Naquele momento, o partido estava mais alinhado para a centro-esquerda e ainda faz parte do governo Lula através de dois ministérios importantes: Minas e Energia e Agricultura. Mas é um partido que tem um espectro político amplo e não tem nenhum tipo de contradição.

Mesmo com o PSD tendo Carlos Viana como candidato ao Senado, o apoio é da Marília?
É da Marília, por conta do projeto e do histórico. Por isso a gente precisa rebobinar a fita e entender o contexto histórico. Quando eu me filiei ao PSD e compus a chapa com a Marília, o Viana nem era filiado ao PSD. Todo o respeito ao senador Viana. O Mateus Simões também não era filiado ao PSD.


Acho importante a gente aplicar esse contexto histórico, essa conjuntura. E o PSD é um partido que nunca me cobrou essas posições porque sabe dessas circunstâncias. É um partido que busca equilíbrio e resultados, e vai respeitar a minha posição política, que é clara. Eu estarei no palanque da Marília. Acho que ela vai dar uma dinâmica diferente para o Senado.

Por que o senhor diz isso?
Eu acompanhei o que a Marília fez como deputada à frente da comissão de participação popular. Como prefeita, ela carrega a bandeira municipalista, ela sabe da importância da pauta municipalista. As pessoas não vivem no estado e na Federação. As pessoas vivem na cidade. Então, acho que ela leva essa experiência para o Senado Federal. Ela leva a experiência da participação popular para o Senado Federal.


Aquela casa, que é aparentemente fria, com a presença dela pode ser mais próxima das pessoas. Acho que ela vai conseguir pautar, por exemplo, essa essa questão do Pacto Federativo, para que o dinheiro chegue onde precisa chegar para que viabilize mais as políticas públicas.

Como está o diálogo com o governo estadual e o governo federal?
Olha, eu tenho o obrigação de dialogar com todo mundo. Na Sexta-feira da Paixão, eu recebi o governador Mateus Simões para um café na minha casa. Tivemos uma conversa muito produtiva, falamos sobre parcerias.


A Marília e o governador Romeu Zema (Novo) tiveram uma relação profícua, de resultados para a cidade, como as obras de macrodrenagem que a cidade recebeu. Começava janeiro, a Teresa Cristina já inundava. Hoje, aquelas bacias estão salvando vidas e nasceram de uma parceria. A minha ideia é que a gente continue avançando em prol da cidade de Contagem, estabelecendo parcerias com o governo do estado.


Com o governo federal nós temos várias obras do PAC que estão sendo celebradas na nossa cidade, obras que mudam a cara dos bairros. A ideia é que a gente, com a iniciativa privada, com a Câmara dos Vereadores, seja um governo de parcerias. Eu quero construir pontes, construir consensos a favor da nossa cidade.

“Precisamos dar uma atenção especial à população em situação de rua”

“Cabe a nós dar continuidade a esse trabalho que foi iniciado por ela (Marília Campos) com muita sabedoria, com muito propósito, para que a cidade continue avançando”

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“A Saúde sempre foi e sempre será uma preocupação e um grande desafio da nossa gestão”

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