O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a falta de inclusão de novos países entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que são justamente os seus integrantes que “estão fazendo as guerras”. A declaração de Lula foi feita neste sábado (21/3), em Bogotá, na Colômbia, onde participa do I Fórum CELAC-África.
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O discurso de Lula foi proferido no fórum que reúne países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Africana (UA). Aproveitando a ocasião, o presidente afirmou que “não faz sentido” que a América Latina e a África não tenham uma representação adequada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que as regiões congregam quase metade dos países do mundo.
O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e outros dez membros não permanentes, com mandatos de dois anos. Atualmente, os únicos representantes latinos são a Colômbia e o Panamá, enquanto os representantes africanos são a Libéria, a República Democrática do Congo e a Somália.
Ao justificar a crítica, Lula subiu o tom e afirmou que quem está fazendo as guerras atualmente são justamente os membros permanentes do Conselho de Segurança. O presidente também afirmou que não deve ser permitido “que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”.
“O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras. E quando é que a gente vai tomar uma atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?”, questionou.
O presidente também disse estar “indignado com a passividade” dos membros do Conselho de Segurança, que não foram capazes, segundo ele, de impedir a escalada dos conflitos no Oriente Médio – citando Iraque, Líbia e Irã – e na Ucrânia.
“Ou seja, tudo se resolve por guerra. Quem tem mais canhão, quem tem mais navios, quem tem mais aviões, quem tem mais dinheiro se acha dono do mundo. Quando é que nós vamos dizer que isso não é normal?”, perguntou com ironia.
Guerra
O presidente Lula também fez uma crítica direta aos Estados Unidos, que empenha, ao lado de Israel, uma guerra contra o Irã sob a justificativa de que o país persa desrespeitou o acordo de não proliferação de armas nucleares.
Lula relembrou a viagem que fez em 2010 ao Irã onde costurou, junto ao Aiatolá Ali Khamenei e ao então presidente Mahmoud Ahmadinejad um acordo para que o país persa enriquecesse urânio na mesma proporção que o Brasil e apenas para fins científicos.
O presidente conta que recebeu uma carta do então presidente norte-americano Barack Obama, a quem chamou de “companheiro”, dizendo que concordava com o acordo, mas que, em seguida, tanto os Estados Unidos quanto a Europa decidiram aumentar os bloqueios ao Irã.
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“E agora, se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do (ex-ditador iraquiano) Saddam Hussein? Onde elas estão? Quem achou? Ou seja, nós não podemos viver mais no mundo de mentiras, em que as pessoas constroem o inimigo, constroem a imagem negativa do inimigo para justificar a destruição”, disse Lula.
