Em discurso marcado por críticas aos efeitos de conflitos internacionais sobre a economia brasileira e por defesa de maior autonomia produtiva do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (20), que o Brasil precisa fortalecer instrumentos de regulação e ampliar sua capacidade de produção para reduzir a vulnerabilidade diante de crises externas. A fala ocorreu durante evento em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em agenda voltada a anúncios na área energética e social.
Ao abordar o cenário internacional, Lula associou o conceito de soberania à capacidade de o país tomar decisões econômicas próprias e enfrentar oscilações globais. “O país é soberano quando é dono do próprio nariz”, declarou. Em seguida, ele questionou a transferência de impactos de conflitos externos para o custo de vida da população. “Qual é a razão para um trabalhador ou um mineiro ter que pagar o preço do óleo por conta dessa maldita guerra? Nós não estamos em guerra com o Irã”, afirmou.
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Segundo o presidente, o fortalecimento de estoques estratégicos e a ampliação da produção interna são medidas essenciais para reduzir pressões inflacionárias em momentos de instabilidade internacional. "Se o país é soberano, ele tem que ter estoque de arroz, estoque de feijão, estoque de alguma coisa para enfrentar crise e especulação", disse. Lula ressaltou que a dependência externa em setores considerados sensíveis pode aumentar o impacto de crises globais sobre o mercado interno.
Durante o discurso, o presidente também defendeu o fortalecimento de empresas nacionais e a ampliação da capacidade produtiva como estratégia de longo prazo. Para ele, a autonomia energética e a possibilidade de regulação de preços são fatores centrais para garantir previsibilidade econômica e proteger o consumidor.
Além da pauta econômica, Lula dedicou parte da fala a temas sociais, com destaque para a violência contra mulheres e a circulação de conteúdos violentos nas redes sociais. “O problema da violência contra a mulher não é um problema das mulheres. É dos homens. Quem agride é o homem”, afirmou. O presidente relatou preocupação com publicações que, segundo ele, banalizam agressões ou ensinam práticas criminosas.
“Vocês já estão acompanhando na internet um bando de jovens simulando como reagir quando uma menina diz não. Outro dia mostraram gente perguntando o que fazer para matar uma mulher e não ser descoberta”, declarou. Na avaliação do presidente, a disseminação desse tipo de conteúdo exige maior atenção do poder público e da sociedade.
A agenda em Betim reuniu autoridades federais, estaduais e representantes do setor energético. O evento foi organizado com o objetivo de anunciar medidas relacionadas à produção e à regulação econômica, além de iniciativas de impacto social. Ao longo do discurso, Lula voltou a relacionar soberania nacional, custo de vida e cenário internacional. Afirmou que o governo pretende adotar ações para reduzir a exposição do país a choques externos.
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O presidente encerrou a fala reiterando que o fortalecimento da economia interna e a formação de mecanismos de proteção ao consumidor são prioridades diante de um contexto global considerado instável. Para ele, medidas estruturais são necessárias para garantir estabilidade e previsibilidade em momentos de crise.
