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Entre os nomes mais citados está o suplente João Fernandes (Novo), que disputou as eleições municipais pelo Partido Novo e atualmente atua no gabinete do vereador Vile Santos (PL). Com cerca de 502 mil seguidores no Instagram, ele ganhou projeção digital por meio de vídeos de posicionamento ideológico, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defesa de pautas conservadoras.
Nos bastidores, parlamentares afirmam que a convocação de apoiadores feita por Fernandes nas redes sociais tem contribuído para a presença recorrente de grupos organizados nas galerias durante votações de maior repercussão política, como propostas ligadas à segurança urbana e assistência social.
Em entrevista ao Estado de Minas, o suplente negou responsabilidade pelos tumultos e afirmou que a mobilização integra a estratégia política do grupo. “Não houve nenhuma discussão na CMBH. O que houve foram ataques de militantes e assessores de esquerda contra nós, no dia da votação da Lei Anti-Oruam. Eu convoquei a militância nas minhas redes sociais para virem apoiar o projeto. Essa é a nossa estratégia, fazer boas políticas públicas para melhorar a vida de quem mora em BH”, declarou.
Suplente pelo Novo, João Fernandes poderá assumir uma cadeira no Legislativo municipal caso vereadores do partido sejam eleitos em outubro para outros cargos. Nomes como Fernanda Pereira Altoé, Marcela Tropia e Bráulio Lara são apontados como possíveis candidatos à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ou à Câmara dos Deputados, cenário que abriria espaço para sua convocação.
Outro personagem presente nas sessões é Alê Fiscaliza, ex-candidato a vereador pelo MDB e atualmente ligado à juventude do Novo. Com cerca de 28,7 mil seguidores, ele ganhou visibilidade digital com vídeos de fiscalização urbana, especialmente denúncias de buracos em vias públicas e cobranças por manutenção de infraestrutura. Parte dos conteúdos é gravada em bairros da região Oeste da capital, como o Buritis.
Também ao EM, Alê afirmou que acompanha votações e produz conteúdo político dentro da Câmara.
“Teve um projeto muito importante sobre a internação compulsória dos moradores de rua. Eu comecei a entrevistar pessoas dentro da galeria. Quando elas começaram a se contradizer com quem as levou, acabou dando essa confusão”, disse.
Confrontos
Segundo relatos de vereadores e funcionários da Casa, a presença de grupos mobilizados nas galerias se intensificou nas últimas semanas, principalmente durante votações consideradas polêmicas. Em uma das sessões mais recentes, houve troca de empurrões, gritos e necessidade de intervenção da segurança institucional para conter manifestantes.
Servidores que atuam em gabinetes de parlamentares da bancada de esquerda relatam terem sido alvos diretos de provocações e agressões físicas ao tentarem organizar o fluxo de pessoas ou intervir em discussões. A reportagem procurou alguns desses profissionais para comentar os episódios, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
O presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), afirmou que a segurança foi orientada a agir em caso de novos episódios.
