O deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Minas Gerais, afirmou que o partido não pode se precipitar sobre a composição da chapa ao governo de Minas nas eleições de 2026. Ele voltou a defender cautela nas articulações políticas da direita no estado, com foco em construir uma estratégia capaz de garantir vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições nacionais.

Considerado um estado estratégico, o PL busca uma união em Minas capaz de assegurar palanque para a candidatura do senador à Presidência da República.

"O PL tem consciência de que nós temos uma responsabilidade. Nós não somos só alternativa, opção não. Nós temos que virar esse jogo e eleger Flávio Bolsonaro. Por isso, eu tenho a responsabilidade de não me precipitar", afirmou.


Sem se comprometer, disse manter boa relação com os dois nomes que despontam hoje como pré-candidatos ao governo de Minas: o senador Cleitinho (Republicanos) e o vice-governador Mateus Simões (PSD). Ao mesmo tempo, sinalizou que a definição dos rumos do PL está condicionada à decisão do governador Romeu Zema (Novo).

Tenho uma ótima relação com o Cleitinho, somos conterrâneos, apoio o irmão dele, o Gleidson. O Eduardo, outro irmão, é do PL, é meu deputado estadual, meu parceiro, e o Cleitinho é meu parceiro. E o Mateus (vice-governador) é também um parceiro, o governador Zema é também um parceiro, num projeto nacional, só que o Zema, por enquanto, se coloca como pré-candidato", afirmou.

Um dos cenários possíveis é ter Zema como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, o PL apoiaria o nome de Mateus Simões ao Palácio Tiradentes. Contudo, o governador tem reafirmado que levará a candidatura à Presidência até o final.

Conforme Domingos, é preciso "dar um pouco mais de tempo ao tempo". "Porque se a gente conseguir unir a direita em Minas, é decisivo para a gente ganhar as eleições no estado. E isso é fundamental para ganhar a eleição no Brasil. Então, não podemos precipitar na decisão de ir para um lado ou para o outro. A gente precisa tentar unir todos esses que querem o bem de Minas e querem o bem do Brasil. E é esse o papel que eu tenho desempenhado, comentou.

Divisão em Minas

As articulações para unificar a direita em Minas têm provocado reações do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que já tornou pública a pré-candidatura ao governo do estado. Ao comentar a fala de Domingos Sávio sobre não se precipitar, nesta segunda-feira (9/3), o senador afirmou que também antecipou algumas movimentações políticas.

"Fui um que precipitei em adiantar alguns apoios para cargos legislativos. Mas dá tempo de mudar. As eleições são só em agosto. Bora pra cima", postou como comentário no vídeo em que o deputado fez a declaração.

Disputa movimenta bastidores

Domingos Sávio aparece como um dos nomes preferidos dentro do PL para disputar uma das vagas ao Senado por Minas Gerais e já teve sinais de apoio dos irmãos Azevedo.

Agora, algumas movimentações têm causado estranheza e chamado atenção. Na última semana, o irmão do senador, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), também se colocou como pré-candidato à vaga ao Senado em entrevista a um veículo local.

Isso ocorreu cerca de cinco dias após tornar pública a pré-candidatura a deputado federal, por meio de uma postagem com o título "Comunicado oficial". O vídeo continua nas redes sociais do prefeito.

Gleidson trocou, dias depois, afagos com o secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), pré-candidato ao Senado com apoio do governador Romeu Zema (Novo) e também do vice-governador Mateus Simões (PSD). Em uma postagem de Aro escreveu: "meu futuro senador".

O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão de Cleitinho e Gleidson, também demonstrou proximidade política com Marcelo Aro. Nas redes sociais, compartilhou foto após reunião no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte, no dia 5 de março. 

Nome de Domingos Sávio tem força no PL


O nome de Domingos Sávio apareceu nas anotações de Flávio Bolsonaro como favorito para disputar uma vaga ao Senado pelo partido.

"Sou pré-candidato ao senado, mais do que nunca, com apoio e estímulo dos líderes nacionais do partido, mas com muito respeito aos demais colegas que também manifestavam desejo de uma candidatura. Por isso, estamos tendo paciência, como é próprio da política mineira, de construir para sair o grupo todo unido", comentou.

Ao mesmo tempo deu como certa a candidatura: "Estamos 100% seguros que vamos sair candidato ao senado. Mas a decisão ficará a cargo da direção nacional em momento apropriado", enfatizou.

Ele afirmou ainda que considera mais adequado que o anúncio ocorra a partir da definição da composição da chapa que disputará o governo de Minas.

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*Amanda Quintiliano e Brenda Fernandes especial para o EM

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