A deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) anunciou neste domingo (8/3), durante a manifestação do Dia Internacional da Mulher em Belo Horizonte, que a deputada Erika Hilton (Psol-SP) deve assumir na próxima semana a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita durante o ato realizado na Praça Raul Soares, na Região Centro-Sul de BH, que reuniu centenas manifestantes e seguiu em marcha pela Avenida Amazonas.

Segundo Célia, que hoje preside a comissão, a posse está prevista para a próxima quarta-feira (11/3). “Faremos história ao colocar pela primeira vez uma mulher trans na presidência da Comissão de Mulheres da Câmara dos Deputados”, afirmou a parlamentar ao discursar no carro de som que acompanhava o protesto.

O nome de Erika foi indicado pelo partido no fim de fevereiro para assumir o comando do colegiado. À frente da comissão, a deputada pretende atuar para impedir retrocessos na legislação e dar prioridade a projetos que ampliem os direitos das mulheres em sua diversidade, contemplando diferentes realidades, como as de mulheres indígenas, negras, com deficiência e da população LGBT+.

Entre as pautas que devem receber atenção estão ainda políticas de saúde, melhores condições no mundo do trabalho e medidas voltadas ao enfrentamento do feminicídio e da violência de gênero, problema que tem registrado números elevados em todo o país.

Na Câmara dos Deputados, a distribuição das comissões permanentes segue o resultado das últimas eleições e o princípio da proporcionalidade partidária. Na prática, o tamanho das bancadas e dos blocos parlamentares define tanto a ordem de escolha quanto a quantidade de colegiados que cada partido pode comandar, o que orienta as negociações para a definição das presidências a cada ano legislativo.

Protesto na capital mineira

O anúncio ocorreu durante o ato do 8 de março, que reuniu movimentos feministas, coletivos populares e organizações da sociedade civil na capital mineira. Com cartazes como “Parem de nos matar” e “Nenhuma morte esquecida”, além de palavras de ordem e apresentações culturais, as manifestantes denunciaram o avanço da violência contra mulheres no país e cobraram mais investimento público em políticas de prevenção e proteção.

Participantes do protesto ressaltaram o papel histórico da mobilização social na conquista de direitos. A advogada Cristiane Lara, presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar da OAB de Itaúna, viajou do interior de Minas para participar da manifestação em Belo Horizonte.

Segundo ela, avanços importantes na legislação brasileira nasceram justamente da pressão dos movimentos sociais. “Direitos como o voto feminino, a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio só aconteceram porque houve mobilização das mulheres e indignação coletiva diante da violência”, afirmou.

Para Cristiane, a caminhada realizada no 8 de março tem um significado que vai além do protesto. “Hoje poderia ser apenas um momento de celebração, porque já caminhamos muito. Mas ainda temos muito a conquistar. Essa marcha mostra que precisamos continuar nos movimentando para garantir e ampliar nossos direitos”, disse.

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Após a concentração na praça, as manifestantes seguiram em marcha pela Avenida Amazonas. Durante o trajeto, houve um breve momento de tensão quando policiais militares tentaram limitar a passagem do grupo caso uma faixa da via não fosse liberada para o tráfego de veículos. Após alguns minutos de discussão entre organizadoras e os agentes, a situação foi resolvida e a caminhada continuou.

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