Câmara de BH reforça segurança após ameaça de morte a Juhlia Santos
Presidente da CMBH, vereador Juliano Lopes, afirmou que todas as medidas cabíveis foram tomadas e que qualquer parlamentar ameaçado será acolhido pela Casa
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A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) decidiu reforçar a segurança dos parlamentares após a ameaça de morte recebida pela vereadora Juhlia Santos (Psol) na última semana. O presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), afirmou, em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (2/3), que nenhum dos 41 vereadores da Câmara terá seu trabalho impedido por ameaças.
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“A gente não aceita esse tipo de comportamento com nenhum vereador, com nenhum, ou com a vereadora Júlia ou com o vereador da direita, de centro. As pessoas passaram pelo processo eleitoral e precisam ser respeitadas no seu mandato”, disse.
Jhulia Santos, única transsexual na atual legislatura da Câmara Municipal, recebeu uma mensagem por e-mail, segundo ela “carregada de racismo e transfobia, na qual o remetente a ameaçou de morte caso não renunciasse ao seu mandato.
Segundo Lopes, a Câmara tomou “todas as medidas cabíveis” assim que soube da ameaça à parlamentar na última segunda-feira (23/2), tendo acionado o Ministério Público e a Polícia Civil. O presidente afirmou que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) identificou um suspeito pelas ameaças - o que foi confirmado pela corporação à reportagem.
“As ameaças são graves. Falam do local que a vereadora mora, do local que ela transita até o seu local de trabalho, da casa até a Câmara Municipal, nome dos pais e o principal, dizendo que se não renunciar ao mandato as ameaças irão continuar. Nós não vamos admitir isso”, destacou.
A mensagem com as ameaças foi enviada ao e-mail pessoal da vereadora Juhlia Santos, assim como ao e-mail do seu gabinete, no e-mail da presidência e no da ouvidoria da Câmara. Devido ao teor da ameaça, a parlamentar passou a ser escoltada pela Guarda Municipal.
Agora, os olhos devem se voltar para o projeto de lei de autoria do Sargento Jalyson (PL), que prevê proteção a vereadores ameaçados. O texto foi aprovado em primeiro turno no começo de fevereiro. O presidente Juliano Lopes informou que terá uma conversa com o autor do projeto ainda esta semana para acelerar a tramitação e, eventualmente, envolver uma escolta da Polícia Militar aos parlamentares ameaçados.
A reportagem entrou em contato com a vereadora Juhlia Santos, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Violência
Este não é o primeiro caso de ameaças a parlamentares mineiras. Em 2023, as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira (PT), Bella Gonçalves (Psol) e Lohanna França (PV) receberam ameaças de estupro e de morte por um homem que morava em Pernambuco. Ele foi preso em maio do ano seguinte e condenado a 12 anos e nove meses de prisão. As condenações foram por crimes cibernéticos, incluindo ameaças.
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A investigação, realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), apontou que o criminoso utilizava diversos perfis falsos nas redes sociais para praticar crimes, incluindo veiculação de simbologia nazista, corrupção de menores, entre outros.