O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), afirmou que está “preparado” para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e que deve deixar o cargo entre os dias 27 e 31 de março para cumprir o prazo de desincompatibilização. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ele também declarou apoio à pré-candidatura do irmão, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), ao governo de Minas Gerais e defendeu que a direita se una em torno do nome “que estiver na frente” nas pesquisas.
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“Se realmente a direita quer ganhar o governo, ela tem que priorizar e apoiar aquele que está na frente. Se as pesquisas mostrarem que meu irmão está liderando, tenho certeza que o Flávio vai querer apoiar aquele que estiver na frente”, afirmou, ao citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Gleidson disse que a decisão de disputar o mandato federal foi amadurecida ao longo do segundo mandato como prefeito, diante da dependência financeira dos municípios em relação a emendas parlamentares.
“Hoje, 90% dos municípios do Brasil, para poder ter investimento, dependem de deputados estaduais e federais. Eu vi que, no Congresso, posso ajudar não só Divinópolis, mas toda a região do Centro-Oeste”, declarou. Segundo ele, entre 60% e 70% das obras realizadas na cidade contaram com recursos de emendas.
Transição na prefeitura
O prefeito confirmou que a vice-prefeita Janete Aparecida assumirá o comando do Executivo municipal a partir de abril. Segundo ele, a transição já começou e será “natural”. “Nunca teve um prefeito que trabalhou junto com a vice igual eu trabalhei. Às vezes falam que quem governa é a Janete, porque eu sou um cara de rua. Mas ela sempre esteve na gestão. A transição vai ser muito tranquila”, disse.
Ele afirmou que deixará recursos garantidos para continuidade das obras e que parte dos investimentos já está em fase de projeto e licitação. “Tem muito recurso em caixa que eu não vou conseguir entregar. Ela vai ter muita obra para entregar até o final do mandato.”
Gleidson também sinalizou que, caso Janete decida disputar a reeleição em 2028, terá seu apoio.
Hospital Regional e articulação política
O prefeito comentou a entrega do Hospital Regional de Divinópolis, obra aguardada há mais de 15 anos e que deve começar a funcionar ainda neste semestre. Ele atribuiu a conclusão da estrutura ao governo estadual, sob gestão de Romeu Zema (Novo), com recursos da Vale, e disse que o funcionamento dependerá do governo federal. “Quem terminou o hospital foi o governo do estado. Para funcionar, vai depender do governo federal, que já assinou o contrato para a universidade administrar. A gente deve anunciar a data de funcionamento até o fim de março”, afirmou.
Gleidson evitou entrar em disputa sobre a autoria política do projeto. “Eu nunca fui pai da obra. O pai disso tudo é a população que paga imposto.”
Novo, palanque e cenário estadual
Questionado sobre eventual desconforto no Novo diante da possível candidatura de Cleitinho ao governo, Gleidson reafirmou a permanência na legenda. “Hoje eu sou pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo. Não tem por que eu sair”, afirmou.
Ele também minimizou a possibilidade de racha no campo da direita em Minas, mesmo diante das articulações envolvendo outros nomes, como o vice-governador Mateus Simões. Para Gleidson, o critério deve ser eleitoral. “Lá na frente, quem estiver na frente tem que ser apoiado.” Sobre a hipótese de Cleitinho compor chapa com Flávio Bolsonaro, avaliou que a convergência é viável. “Se a direita tiver um olhar para aquilo que realmente quer ganhar, isso é possível.”
Polarização, redes sociais e relação com a esquerda
O prefeito reconheceu a polarização política, mas afirmou que mantém diálogo com parlamentares de diferentes espectros ideológicos, citando a relação com Gleide Andrade, tesoureira nacional do PT. “Eu sou um cara de direita, mas não vou deixar de dialogar com quem é de esquerda. A maior verba para investimento está no governo federal. Depois que passa a eleição, tem que ter diálogo”, disse.
Ele também criticou o que classificou como uso excessivo das redes sociais para ataques. “Tem que usar rede social para mostrar resultado, não só para apontar problema.”
Ao avaliar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi sucinto: “Ele prometeu picanha. Até hoje, acredito que ninguém está comendo picanha, não.”
“Clã Azevedo” e projeção regional
Gleidson afirmou que considera natural a visibilidade política da família e rejeitou a conotação negativa do termo “clã”. “A população não estava acostumada com o jeito da gente fazer política. Com humildade, transparência e estando no meio do povo”, declarou.
Ele avalia que Divinópolis ganhou centralidade no cenário estadual e aposta no fortalecimento político da região caso Cleitinho avance na disputa ao governo. “Pela primeira vez, o Centro-Oeste pode ter governador, senador, deputados federais e estaduais. Vai ser o melhor momento da história da região.”
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Sobre a própria campanha, disse que pretende ampliar a atuação para além de Divinópolis assim que deixar o cargo. “Hoje meu maior eleitor é Divinópolis. Mas, para ser deputado federal, preciso abranger o estado inteiro. Vou viajar por Minas.”
