A corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto já começa a se desenhar. A nove meses das eleições de 2026, ao menos sete candidatos já se colocaram como pré-candidatos à Presidência da República.

Entre eles está o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato da oposição e representante do clã Bolsonaro nas eleições — já que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não poderá concorrer ao pleito em 2026.

Bolsonaro está preso por golpe de Estado e outros quatro crimes e cumpre pena de mais de 27 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, que aparecem em 1° e 2° lugar em pesquisas de intenção de voto, outros pré-candidatos já movimentam o tabuleiro eleitoral, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão), Samara Martins (UP) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que disputará a indicação de seu partido com os governadores Eduardo Leite e Ratinho Junior.

O quadro, contudo, ainda deve mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos nomes podem surgir e outros desistir da disputa.

O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.

A BBC News Brasil lista os nomes que até o momento anunciaram pré-candidatura à Presidência.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

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Lula tentará seu quarto mandato para presidente do Brasil

Durante a campanha eleitoral em 2022, Lula chegou a dizer que caso fosse eleito, seria "um presidente de um mandato só".

Mas, nos últimos anos, o petista veio dando sinais de que poderia mudar de ideia.

Em 2025, as durante um evento no Rio de Janeiro, Lula foi direto ao dizer que o país poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes".

Meses depois, durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, ele confirmou a jornalistas, durante coletiva de imprensa, que iria concorrer a um quarto mandato.

Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição para presidente.

O atual mandatário aparece em primeiro lugar em todos os cenários de 1º turno da eleição presidencial, segundo pesquisa mais recente divulgada pela Quaest em fevereiro.

Os percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 35% e 39%.

Na pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em 25/02, o petista tem 45% (ou mais, dependendo de variações no cenário de candidatos).

O desafio do petista contudo, é enfrentar a rejeição. A pesquisa Quaest mostra que 54% dos entrevistados não votariam no petista e que 57% não acreditam que ele mereça ser reeleito.

Flávio Bolsonaro (PL)

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Flávio foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para ser o candidato do PL à presidência em 2026

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando foi eleito para deputado estadual do Rio de Janeiro.

Na Assembleia Legislativa, ele exerceu quatro mandatos até se tornar senador da República em 2018, sendo reeleito em 2022.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi lançada em dezembro de 2025, quando ele anunciou ter sido escolhido pelo pai para ser o candidato do PL a disputar a Presidência.

A escolha foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

O anúncio foi feito após semanas de desentendimentos entre membros da família Bolsonaro e da oposição em torno de articulações sobre quem deveria liderar a direita bolsonarista.

Flávio deverá ser o principal candidato da oposição. Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto realizados pela Quaest, com índices que variam entre 29% a 33%.

Na pesquisa da Atlas/ Bloomberg entretanto, Flávio tem entre 37.9% e 39.1% das intenções de voto. A mesma pesquisa apontou, perla primeira vez, uma pequena vantagem de Flávio se disputasse o 2º turno com Lula — ele teria 46.3%, e Lula, 46.2%.

Mas, assim como Lula, o filho do ex-presidente também enfrenta alta rejeição. 55% dos entrevistados pela pesquisa Quaest informaram que não votariam em Flávio Bolsonaro em 2026.

Romeu Zema (Novo)

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, durante um evento em São Paulo.

Na ocasião, ele fez críticas a Lula e disse que iria "varrer o PT do mapa".

Em entrevista à BBC dias antes de se lançar como pré-candidato, Zema admitiu ter afinidade em propostas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que poderia não ter o apoio dele na eleição.

Tanto em 2018 quanto em 2022, Zema declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais.

O empresário mineiro estreou na política em 2018, quando disputou sua primeira eleição para o governo de Minas Gerais.

Ele venceu no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos e se tornou o primeiro governador eleito pelo partido Novo. Zema foi reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno.

Antes de entrar para a política, Zema atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, que atua nos mercados de varejo, distribuição de combustível, concessionárias de veículos, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, ele declarou um patrimônio de quase R$ 130 milhões.

O governador de Minas Gerais pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à Presidência.

Em 2018, o empresário João Amoêdo, então presidente do partido, surpreendeu ao terminar o primeiro turno em quinto lugar — com 2,5% dos votos válidos —, à frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva (Rede).

Já em 2022, o Novo lançou o cientista político Felipe D'Ávila, que recebeu 0,47% dos votos válidos.

Zema aparece com 1% de intenções de voto na pesquisa mais recente da Quaest, e com 3.9% e 5.7% nos cenários que preveem participação de Lula e Flávio na corrida presidencial (no quarto cenário, com Tarcísio de Freitas no lugar de Flávio Bolsonaro, Zema levaria 8.5% dos votos) na pesquisa da Atlas/ Bloomberg.

Aldo Rebelo (DC)

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Ex-ministro de Lula, Aldo Rebelo tem se aproximado do bolsonarismo nos últimos

Figura histórica do PCdoB, ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, o ex-ministro Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo partido Democracia Cristã (DC) no fim de janeiro.

Durante o evento, fez críticas ao governo do presidente Lula, de quem foi aliado, e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e comandou ministérios estratégicos nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. Mas, nos últimos anos, afastou-se desse campo político e se aproximou do bolsonarismo.

Rebelo chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.

Rebelo é jornalista, foi deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007.

Ele aparece com 1% de intenções de voto na pesquisa mais recente da Quaest, e entre 0.9% e 1.1% nos cenários da pesquisa Atlas/ Bloomberg.

Em 2022, o DC lançou José Maria Eymael — que usou o nome de Constituinte Eymael para as urnas — como candidato à Presidência. Ele teve 0,01% dos votos válidos.

Renan Santos (Missão)

Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou em janeiro sua pré-candidatura à Presidência pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL.

Ele aparece com 1% das intenções de voto na pesquisa Quaest. Na pesquisa Atlas/ Bloomberg ele fica com entre 2.5% e 3.7% dos votos.

O Movimento Brasil Livre foi criado em 2014 e ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando ajudou a organizar protestos de rua contra o governo do PT.

Junto com Kim Kataguiri (União), que hoje exerce o cargo de deputado federal, Santos ficou conhecido por sua atuação nas mobilizações de rua e presença nas redes sociais.

Em 2018, o MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro. Em 2022, fizeram campanha pelo voto nulo no segundo turno.

Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro do ano passado, Kataguiri disse que apoiar Bolsonaro em 2026 estava "fora de cogitação" e que Santos seria o representante do movimento.

Samara Martins (UP)

No início de fevereiro, o Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto.

Samara tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária.

O nome dela não aparece na pesquisa mais recente divulgada pela Quaest.

Na última eleição, o UP lançou Léo Péricles como candidato à presidência. Ele obteve 0,05% dos votos válidos.

O nome do PSD

Nas eleições de 2022, o PSD não lançou um nome à Presidência e deixou seus filiados livres para apoiarem Lula ou Bolsonaro no segundo turno.

Mas em 2026 o cenário deve ser diferente.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já anunciou que o partido vai ter candidato próprio na disputa pelo Palácio do Planalto. O nome, contudo, só deve ser definido em abril, segundo Kassab.

A estratégia é apresentar uma alternativa de centro-direita desvinculada de Bolsonaro.

Entre os nomes cotados estão os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná. Todos eles exercem o segundo mandato em seus respectivos Estados.

Matheus Leite/BBC
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, lançou candidatura no ano passado, quando estava filiado ao União Brasil

Político experiente com uma trajetória de mais de três décadas, passando pela Câmara dos Deputados e Senado, o atual governador de Goiás já manifestou diversas vezes sua intenção de disputar a Presidência.

Em abril de 2025, quando ainda fazia parte dos quadros do União Brasil, Ronaldo Caiado lançou sua pré-candidatura ao Planalto em um evento do partido em Salvador — que não contou com a presença do presidente da sigla, Antônio Rueda.

Após pressões internas para desistir da candidatura, ele anunciou sua saída do União e se filiou ao PSD em janeiro deste ano.

Na época, Caiado concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil, em que criticou o PT, mas evitou falar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e em 2022, Caiado se afastou do bolsonarismo durante a pandemia, por defender posições diferentes em relação ao isolamento social, e também ao repudiar os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o ocorrido, na época, como "inadmissível, inaceitável e condenável".

Para se cacifar como candidato, Caiado, visto como um dos principais representantes políticos do "agro", vai ter que superar outros nomes dentro do partido e superar o fato de ser pouco conhecido fora do seu Estado.

Na pesquisa mais recente da Quaest, Caiado aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno. Já nos cenários da pesquisa Atlas Bloomberg, ele receberia entre 4.9% e 5.1%.

Caso o governador de Goiás seja o candidato escolhido pelo PSD, essa não seria a primeira vez que ele disputaria a presidência da República.

Em 1989, Caiado disputou a cadeira do Palácio do Planalto. Naquelas eleições, Caiado ficou em 10º lugar, com menos de 1% dos votos.

Getty Images
Eduardo Leite já manifestou interesse em disputar a Presidência, mas aguarda aval do PSD

Filiado ao PSD desde maio de 2025 — após encerrar uma trajetória de quase 25 anos no PSDB — , Eduardo Leite é outro nome cotado por Kassab para a Presidência.

Ele aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno na pesquisa da Quaest e com 1.9% na pesquisa da Atlas/ Bloomberg.

Em 2022, o governador do Rio Grande do Sul chegou a concorrer às prévias do PSDB para disputar o Palácio do Planalto, mas foi derrotado nas eleições internas pelo então governador de São Paulo, João Dória.

Posteriormente, a legenda desistiu de lançar um candidato.

Nas eleições de 2018, Leite declarou voto e apoio a Bolsonaro. Já em 2022, disse que ficaria neutro no segundo turno.

Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro de 2025, o governador do Rio Grande do Sul disse não se sentir representado nem por Lula e nem por Bolsonaro, e afirmou que o PSD não vai estar em nenhum dos dois lados em 2026.

Ele também não escondeu seu desejo de ser candidato a presidente, mas têm ciência de que há outros nomes dentro do partido e que tudo vai depender do aval de Kassab.

Caso Leite não seja o escolhido do PSD, deve disputar uma vaga ao Senado.

Paulo Pinto/Agência Brasil
Ratinho Jr. aparece nas pesquisas como nome mais competitivo do PSD, apesar das intenções de voto ainda serem baixas

Entre as opções do PSD, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, tem se mostrado o mais competitivo, apesar de sua pré-candidatura ainda não ter decolado.

Ele aparece com 8% das intenções de voto no primeiro turno na pesquisa Quaest, e com 3.8% na pesquisa Atlas/ Bloomberg.

Aos 44 anos, Ratinho Jr. se coloca como parte de uma nova geração da política e declarou recentemente que "sentiria orgulho" em ser o escolhido pelo partido para disputar a presidência.

Filho do apresentador de TV Ratinho, o governador do Paraná é o pré-candidato do PSD mais conhecido pelos entrevistados, segundo a Quaest. São 63% os que afirmaram conhecê-lo.

Apesar disso, ele também é o que que enfrenta mais rejeição. 40% dos entrevistados disseram que não votariam nele.

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Tanto em 2018 quanto em 2022 ele declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais.

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