O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se envolveu em uma discussão com um jornalista durante coletiva de imprensa neste domingo (22/2) em Nova Deli, na Índia. Segundo o repórter, o chefe do Executivo afirmou ter interesse em “receber criminosos" brasileiros que cometeram delitos nos Estados Unidos. Lula, então, interrompeu a fala e repetiu duas vezes: “Você não ouviu isso aqui”.

No começo da coletiva, antes de ser aberta para perguntas dos jornalistas, Lula fez um balanço da sua viagem à Índia e abordou como deve ser o tom da sua viagem aos Estados Unidos, prevista para os próximos meses, quando encontrará o presidente norte-americano, Donald Trump.

O presidente brasileiro destacou que, em suas viagens internacionais, passará a ter na sua comitiva integrantes da Polícia Federal, para que possam articular convênios de cooperação com outros países no combate ao crime organizado, que, nas suas palavras, se tornou “uma coisa multinacional”.

Durante a fala, Lula usou o termo “mandar” para se referir à iniciativa que vai propor a Trump de facilitar a deportação de brasileiros envolvidos em crimes e que vivem nos Estados Unidos.

“Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, nós estaremos dispostos na linha de frente para acabar de uma vez por todas… Inclusive, reivindicando mandar para nós os bandidos que estão lá. Brasileiros que cometem crimes, e todo mundo já sabe que cometeu crime, gente que contrabandeava gasolina, está lá. Então, nos mande, para a gente poder mostrar que queremos combater o crime organizado com muita seriedade”, disse.

Embate

Minutos depois, o repórter Tiago Eltz, da TV Globo, assumiu o microfone e pediu para o presidente esclarecer essa fala. O jornalista iniciou a pergunta dizendo que uma das polêmicas do governo Trump é a perseguição a imigrantes, inclusive daqueles que têm documentos e vistos, e que o presidente americano considera todos “criminosos”.

“O senhor disse agora há pouco que, na conversa com o presidente Trump, pode acertar de receber criminosos para o Brasil, ou quem cometeu crime por lá…”, afirmou o repórter, antes de ser interrompido por Lula.

“Você não ouviu isso aqui”, respondeu o presidente. Antes que o repórter pudesse continuar a pergunta, Lula declarou: “Se eu aceito que você faça a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso, e eu não falei isso”.

O jornalista, então, continuou a pergunta, antes de ser interrompido novamente. “Para o presidente Trump, eles (imigrantes) são criminosos. O senhor falou, por exemplo, de receber criminosos (contrabandistas) de combustíveis, que já cometeram crimes por lá…”

“Nós queremos prendê-los. Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, respondeu Lula. “Bloqueamos 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios, entregamos para a Petrobras. Essa pessoa mora em Miami. Mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele e o nome dele, e queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue nossos bandidos. É isso. Não é a palavra receber, é prender”, continuou.

Redes sociais

A situação gerou uma série de comentários críticos nas redes sociais, os quais questionaram a forma como o jornalista fez a pergunta, mesmo que Lula não tenha dito num primeiro momento a palavra “prender”, como enfatizou na sua resposta.

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Logo após a confusão, Lula esclareceu sua iniciativa e afirmou que magnatas do crime organizado não moram nas favelas, mas sim em bairros de elite do Brasil e dos Estados Unidos. "E eles (governo norte-americano) já sabem, inclusive, de alguns nomes que já mandamos. Então, nessa conversa com o presidente Trump, eu quero aprofundar (a parceria)", destacou.

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