O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (17) para uma viagem à Ásia, com paradas na Índia e na Coreia do Sul.

Além de agendas políticas, o governo pretende buscar novos mercados e firmar acordos em áreas consideradas estratégicas, como minerais críticos, aviação e medicamentos. Também estão no radar parcerias digitais e iniciativas de governança da Inteligência Artificial.

A etapa mais robusta da viagem será em Nova Délhi. Lula deve discursar ao lado de cerca de 20 líderes globais e participar de encontros paralelos à cúpula internacional sobre IA, organizada pelo governo do premiê Narendra Modi. O evento reúne ainda executivos de grandes empresas de tecnologia, como Google, Nvidia e OpenAI.

Na ocasião, o presidente pretende reforçar preocupações com vieses em algoritmos e episódios de discriminação, incluindo o impacto de deepfakes em processos eleitorais. Brasil e Japão copresidem o grupo de trabalho sobre IA “segura e confiável”, um dos focos do encontro.

O AI Impact Summit já passou por Reino Unido, Coreia do Sul e França, e agora chega à Índia. O fórum não tem caráter deliberativo, mas deve divulgar uma declaração final com propostas para difusão democrática da IA, criação de uma rede internacional de pesquisa e diretrizes para infraestrutura resiliente na área.

Durante a visita, ao menos oito acordos podem ser assinados, embora cerca de 20 tenham sido discutidos nos bastidores. Entre os pontos previstos está a entrada em vigor da ampliação do prazo de vistos de turismo e negócios, de cinco para dez anos, além da intenção de ampliar o acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia.

No setor de saúde, o governo negocia um acordo envolvendo a Anvisa para acelerar a aprovação de medicamentos produzidos na Índia que já tenham autorização nos Estados Unidos ou na União Europeia.

Na área de defesa, a indústria aeronáutica brasileira busca espaço em uma concorrência da Força Aérea indiana para a compra de até 80 aeronaves de transporte. O cargueiro KC-390, da Embraer, é um dos modelos considerados competitivos. A empresa firmou parceria com a indiana Mahindra para disputar o contrato, que também deve ter Airbus e Kawasaki como concorrentes.

A Embraer também mantém cooperação com a Adani Defence & Aerospace para projetos de aviação comercial, com foco em jatos regionais. O plano envolve produção local, cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos.

Lula deve viajar acompanhado de cerca de dez ministros, parlamentares e uma delegação empresarial. Mais de 300 empresas foram credenciadas para encontros de negócios, segundo o Itamaraty.

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Na Coreia do Sul, o presidente pretende se reunir com o chefe de Estado Lee Jae-myung e participar de agendas com cerca de 230 empresários. Os dois governos devem lançar um plano de ação para o período de 2026 a 2029 e formalizar uma parceria estratégica.

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