O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descartou qualquer possibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedir asilo político no exterior. A declaração do parlamentar ocorreu quando questionado sobre as duas noites que o seu pai ficou hospedado na Embaixada da Hungria, quatro dias após ter o passaporte confiscado pela Polícia Federal (PF) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF)

 

"Se tem alguma coisa que você não pode é acusar de Bolsonaro estar se escondendo. Ele tinha me dito muito tempo depois que tinha dormido lá [na Embaixada da Hungria]. Mas, sinceramente, eu ignorei. O fato é que se ele quisesse ir lá pedir um asilo político, ele tinha ficado, né? Não é uma possibilidade [pedir asilo político], não existe essa história. Não tem por quê. Olha o que ele está fazendo pelo Brasil, arrastando gente Brasil afora. Não tem esse papo de fugir e pedir asilo", disse Flávio Bolsonaro em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibido nessa segunda-feira (9/4). 

 



 

"Ele tem um super relacionamento com um monte de gente pelo mundo afora. Ele construiu uma relação pessoal, inclusive com o presidente da Hungria, sempre muito bem tratado pelos embaixadores, com o presidente do Israel, com o presidente da Argentina agora, com o presidente dos Estados Unidos", continuou.

 

Na entrevista, Flávio também afirmou não ter conhecimento sobre o que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria ido fazer na Embaixada da Hungria. "Ele não abre [os detalhes] para ninguém. Acho que nem para mulher dele [Michelle Bolsonaro] ele fala o que ele vai fazer lá". 

 

 

 

Bolsonaro na embaixada

 

Imagens do interior da embaixada onde Bolsonaro teria buscado asilo quatro dias depois de ter seu passaporte confiscado pela Polícia Federal foram divulgadas pelo The New York Times no final do mês de março.

 

Nas imagens divulgadas pelo jornal americano, o ex-presidente parece ter permanecido na embaixada nos dois dias seguintes, acompanhado por dois seguranças e sendo atendido pelo embaixador húngaro e membros da equipe.

 

Segundo o jornal, a estadia na embaixada sugere que o ex-presidente estava tentando aproveitar sua amizade com um colega líder de extrema direita, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, numa tentativa de evitar o sistema judiciário brasileiro.

 

O jornal analisou imagens de três dias de filmagens de quatro câmeras na Embaixada da Hungria, mostrando que Jair Bolsonaro chegou na tarde do dia 12 de fevereiro e saiu dois dias depois, na tarde de 14 de fevereiro. Durante esse intervalo, ele permaneceu, em grande parte do tempo, fora de vista. 

 

Ainda conforme o jornal norte-americano, um oficial da Embaixada da Hungria, que pediu para manter o anonimato, confirmou o plano de hospedar Bolsonaro nas dependências do local.

 

Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que Bolsonaro foi convidado a se hospedar na embaixada e teve várias conversas com autoridades do país. “Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news”, escreve a nota assinada pelos advogados Paulo Bueno, Daniel Tesser e Fábio Wajngarten.

compartilhe