Com o período de férias escolares chegando ao fim, restam alguns dias de descanso para ocupar. Enquanto uns vão aproveitar para ir ao cinema ou colocar as séries em dia, livreiros de Belo Horizonte apresentam um argumento convincente a favor da leitura: uma extensa lista de recomendações com todo tipo de lançamento e outros já conhecidos do mercado.

O Estado de Minas visitou as livrarias Jenipapo, Quixote, Ramalhete e Livres para perguntar aos funcionários quais obras eles recomendam. Cada um fez uma indicação da literatura nacional, internacional e infantojuvenil, listadas a seguir.

Dicas de livros nacionais

  • “Meridiana”, de Eliana Alves Cruz. Recomendado por Ingrid Silva Mello, livreira da Livres, o livro narra os desafios de uma família afro-brasileira após a ascensão social. “Incontornável essa autora”, afirmou Ingrid.
  • “A cidadania das bonecas de pano”, de Ricardo Domeneck. Indicação de Bernardo Cerino, da livraria Quixote, que descreveu o livro como um “trabalho de memória” a partir do qual o autor se reconcilia com seu corpo e sua identidade.
  • “Os imortais”, de Paulliny Tort. Simone Pessoa, livreira da Jenipapo, descreve o impacto do livro como “uma das coisas mais fantásticas que nossa língua já teve, só correspondente a ‘Grande sertão: veredas’”.
  • “A bala dos desarmados”, de Fernando de Morais Mendes. Escrito por um belorizontino, o livro é composto por 14 contos que Álvaro Gentil, livreiro da Ramalhete, considera “impecáveis”.
  • “Crime no Copan”, de Victor Bonini. Um mistério que Thiago França, da livraria Jenipapo, recomenda à luz do aniversário de 60 anos do emblemático edifício paulista.
  • “Deus de Caim”, de Ricardo Guilherme Dicke. A partir da visão de vários narradores, o livro acompanha o embate entre religião e natureza em uma cidade imaginária no Mato Grosso. “É fabuloso, mas é uma leitura que exige”, adiantou Bruno Zattar, livreiro da Quixote.
  • “Avalovara”, de Osman Lins. Indicado por Raynara Voltan, livreira da Jenipapo, o livro usa uma estrutura nada convencional para testar os limites da língua e é, segundo ela, “bizarramente bom”.

Simone Pessoa, livreira da Livraria Jenipapo, segurando sua recomendação "Os imortais", de Paulliny Tort

Maria Lúcia Passos/EM/D.A Press

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Dicas de livros internacionais

  • “Cadelas de aluguel”, de Dahlia de la Cerda. As protagonistas dos 13 contos deste livro passam de vítimas a propagadoras da violência de forma “muito instigante” segundo Ingrid.
  • “O coração do dano”, de María Negroni. Em uma mistura de gêneros textuais, a autora “faz algo como o que Kafka fez em ‘Carta ao pai’, só que à mãe”, explica Bernardo.
  • “Kairós”, de Jenny Erpenbeck. A obra narra um romance abusivo entre uma aluna e um professor na Alemanha Oriental. Apesar de descrevê-lo como “asqueroso”, Simone acredita que é um livro que “toda mulher deveria ler”.
  • “Iúchka e outras histórias”, de Andrei Platônov. De acordo com Álvaro, em 8 contos “de extrema beleza e delicadeza”, Platônov apresenta o leitor a uma Rússia em fase de transição.
  • “Sustentar a nota", de David Remnick. Indicação de Thiago França, o livro conta com 11 perfis de grandes nomes da música, de Pavarotti a McCartney.
  • “Obsceno pássaro da noite”, de José Donoso. Segundo Bruno, “é um dos grandes romances latinoamericanos”, no qual o leitor acompanha os caprichos da alta sociedade chilena pelos olhos de um narrador surdo.
  • “Tchevengur”, de Andrei Platônov. Recomendado por Kamilly Oliveira, livreira da Quixote, o romance narra a chegada de dois personagens a uma cidade utópica que espelha, distorcidas, as aspirações do comunismo soviético.
  • “Primavera sombria”, de Unica Zürn. Um relato autobiográfico da infância da autora que é objeto de pesquisa de doutorado de Raynara. “Embora seja tão curtinho, ele é um baque, um soco no estômago”, relata a livreira.

 

Dicas de livros infantojuvenis

  • “Tot”, de Marcelo Xavier. No livro, o garoto Aristóteles aprende sobre a vida e a arte ao abrir portas de uma casa misteriosa. “Um grande livro de um grande autor, que, inclusive, está com uma exposição no CCBB”, lembra Álvaro.
  • “Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz. Uma distopia que questiona o valor da arte e que, segundo Ingrid, “vai instigar os nossos jovens com certeza”.
  • “Capitão mimo”, de Alexandre Boide. O livro foi a escolha de Simone por representar a sensível história de um garoto e seu cachorro “para meninos de 7 a 90 anos”.
  • “A casa da sabedoria”, de Bodour Alqasimi. Indicado por Bernardo, o livro é um passeio acessível pela lendária biblioteca islâmica de mesmo nome e narra um episódio crítico que a colocou em risco.
  • “Crianças”, de María José Ferrada e Elena Valdez. Recomendado por Dandara Lessa, livreira da Quixote, o livro conta com 34 poemas escritos em homenagem às crianças desaparecidas no Chile durante a ditadura.
  • “A árvore generosa”, de Shei Silverstein. Recomendada por Thiago, a clássica história foi traduzida por Fernando Sabino e narra o crescimento de um garoto junto a uma árvore.
  • “Meu nome”, de Marilda Castanha. O livro aborda questões de identidade e da infância em cenários de guerra por meio do significado do nome de um garoto palestino. “Trata de uma temática sensível de forma muito bonita”, garantiu Dandara.
  • “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. O clássico dispensa introduções, mas foi recomendado por Kamilly como uma boa porta de entrada à literatura brasileira para leitores de 10 a 15 anos.
  • “Loba”, de Roberta Malta e Paula Schiavon. Esse reconto de “Chapeuzinho vermelho”, segundo Dandara, traz uma importante perspectiva feminina para o clássico.
  • “Batriq, o pinguim perdido”, de Huda Al Chuwa. Por meio da história de um pinguim que tenta voltar para casa, o livro traz reflexões sobre território, pertencimento e o conflito na Palestina. “É um livro muito sensível tanto para crianças quanto para adultos”, assegura Raynara.
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