Espírito mineiro, circunspecto
talvez, mas encerrando uma partícula de fogo embriagador, que lavra súbito, e, se cabe, a ser doidos nos inclinas:
não me fujas no Rio de Janeiro,
como a nuvem se afasta e a ave se alonga, mas abre um portulano ante meus olhos que a teu profundo mar conduza, Minas, Minas além do som, Minas Gerais.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE,
“Prece de mineiro no Rio”
“Amor a Minas” não perfaz o palíndromo perfeito percorrido por Afonso Arinos de Melo Franco em Amor a Roma, belo livro dedicado à Cidade do Império e da Igreja, mas aponta o caminho do coração apaixonado pela terra ancestral. Ser mineiro foi uma condição fundamental na formação e no desempenho de sua personalidade, como escritor e homem público, jurista e jornalista, historiador, intelectual e diplomata. Minas acompanhou-o vida em fora.
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Esse carisma iluminou-lhe o itinerário, do princípio ao fim. Muitas vezes, por isso, pensou Minas e os mineiros e encontrou-se a si mesmo, auscultando o claro enigma drummondiano.
Em "Amor a Roma" — segundo Alceu Amoroso Lima, “a mais completa e perfeita homenagem que um escritor latino-americano jamais prestou à Cidade Eterna” —, ao atingir o monte simbólico da era pagã, recomposto por incumbência papal dada a Miguel Ângelo, Arinos resgata Minas:
Foi no Palácio do Capitólio que o Governador Luís da Cunha Meneses se inspirou para o desenho do Palácio da Câmara de Ouro Preto, o mais belo edifício do Brasil. E a inspiração de forma correspondia à destinação de fundo, que era abrigar os escolhidos do povo para o governo citadino. E é de Ouro Preto que me lembro sempre que contemplo o Capitólio de Roma, e é Roma que me vem aos olhos quando diviso o Palácio da Câmara de Ouro Preto. Irmano as duas cidades neste declínio da vida, reúno as duas visões, fundindo-as no mesmo deslumbrado amor que, diante delas, se acendeu em mim na mocidade.
No prefácio do livro que o editor italiano Franco Maria Ricci dedicou à obra do Aleijadinho, Afonso Arinos reconhece em Congonhas “a transformação de uma colina pelo gênio de um homem, como Miguel Ângelo transformou o Capitólio". É a marca imperecível de uma nova forma de ser e de sentir a vida, suas paixões e sofrimentos. É a primeira manifestação da Independência”.
Durante decênios, Minas foi “a província onde melhor se ensinavam humanidades no Brasil”, enfatiza Batista Pereira, gaúcho de São Paulo, diplomata e ensaísta, secretário de seu sogro, Rui Barbosa, ao escrever sobre Martinho Campos, um ministro mineiro do Império. Segundo ele, essa aprendizagem engendrava um “enrocamento granítico” na gente mineira.
No discurso de recebimento de Tancredo Neves, na Academia Mineira de Letras, em 24 de fevereiro de 1983, Afonso Arinos erigiu sobre esse granito o elogio da mineiridade. Sucessor de Juscelino Kubitschek na Casa de Alphonsus de Guimaraens, coube-lhe receber Tancredo. E retirou de sua própria personalidade os parâmetros com os quais definiu o espírito mineiro e a maneira de ser dos mineiros, em páginas magistrais sobre a mineiridade e o momento angustiante do declínio da ditadura no Brasil. Na mirada do estadista de São João del-Rei, prestes a assumir o governo de Minas Gerais, 23 anos depois de tê-lo perdido para um correligionário seu (Magalhães Pinto), o antigo udenista nele encontrou o modelo das virtudes cardeais do mineiro.
“Mas, sendo a vez, sendo a hora, Minas entende, atende, toma tento, avança, peleja e faz”, declara Guimarães Rosa.7 E assim o foi no ato em que Afonso Arinos e Tancredo Neves, nos estertores do regime autoritário, uniram-se na celebração do espírito de Minas, como que tocados pela mesma claridade que visitara o poeta Drummond na confusão da grande cidade. Uniram-se pela redemocratização e pela liberdade. Em posições antagônicas em 1964, somavam-se naquele início de 1983 em favor do iminente desfecho do regime autoritário. “Nunca houve, na República, concordância maior entre a escuta do Brasil e a voz de Minas do que neste ano em que subis à representação oficial daquela voz, Senhor Acadêmico Tancredo Neves”, proclamou Arinos.
Os naturais de Minas assumem um jeito característico de ser, e inúmeros estudiosos se debruçam sobre o ser mineiro, à espreita de questões e respostas sempre inconclusas. Paulo Pinheiro Chagas pôs de um lado o minerador arrebatado, audacioso, extrovertido e aventureiro, para colocar na outra ponta o mineiro das regiões rurais, discreto e sóbrio, seguro, firme, moderado e prudente. No clássico Voz de Minas, Alceu Amoroso Lima investiga o mineiro de corpo e alma. Pistas já haviam sido deixadas por viajantes europeus como Spix e Martius, Langsdorff e o atento Auguste Saint-Hilaire. Aires da Mata Machado Filho — quem teria pela primeira vez empregado a palavra “mineiridade”, tomada a um achado de Gilberto Freyre, ou vice-versa —, João Camilo de Oliveira Torres, Sílvio de Vasconcelos, Francisco Iglésias, Fernando Correia Dias e João Antônio de Paula escreveram ensaios referenciais, enquanto poetas, ficcionistas e memorialistas tornam o repertório do tema um dos mais opulentos do Brasil. “Minas é a montanha, montanhas, o espaço erguido, a constante emergência, a verticalidade esconsa, o esforço estático, a suspensa região — que se escala”.9 Nesses píncaros, contemplados por Guimarães Rosa — vencido por Afonso Arinos, que mais tarde o receberia na Academia Brasileira de Letras —, um dos pontos culminantes foi alcançado pelo intelectual, que sempre visou honrar o haut lieu em que teve o berço.
Tendo por tio o escritor Afonso Arinos de Melo Franco, o primeiro do nome — autor dos contos regionalistas pioneiros de Pelo sertão (1898), mineiro de Paracatu e cidadão do mundo —, Afonso Arinos Sobrinho, como assinava na juventude, ou Afonsinho, assim chamado em família, nasceu em Belo Horizonte, em 27 de novembro de 1905. “Fui menino numa cidade menina”, ouço-lhe ainda dizer-me, ao recordar a primeira vez que me deparei com sua figura hierática, de fala pausada e assombroso discurso. Ele mostrou-me a aliança “luzia”, feita com o ouro que as mulheres de Santa Luzia do Rio das Velhas doaram aos revoltosos liberais de 1842 para que pudessem prosseguir na luta contra a tropa imperial do Barão de Caxias. Um vínculo mineiro matrimonialmente preso à sua mão.
Estávamos na Praça da Liberdade e no Edifício Niemeyer, em casa de Lúcia Machado e Antônio Joaquim de Almeida, o que fazia o coração da capital mineira palpitar no ritmo moderno do criador da Pampulha e fibrilar em defesa do patrimônio cultural, exatamente conforme, ao longo da vida, soube fazer Afonso Arinos. Modernista como os amigos Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, foi ele um preservador dos legados históricos, como o primo Rodrigo Melo Franco de Andrade e, assim como os três, um mineiro “estupendo”, para valer-me de um adjetivo caro ao falar afonsino.
No poema “Nossa Senhora da Boa Viagem”, tudo fica bem revelado pelo jovem modernista, consciente dos valores do passado que não passou:
A Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem
(Que lindo nome para um barco à vela!)
Foi construída em 1765
Por ordem do senhor capitão-mor das Minas
Para os povos de Curral del-Rei.
Nessa igrejinha de janelas verdes
Eu me batizei.
No mês de Maria enfeitava-se a nave com folhas verdes
E as meninas cantavam em coro:
“No céu, no céu, com minha mãe estarei”.
No ano de 1925 o Sr. diretor de obras
Deitou abaixo a Matriz da Boa Viagem (Que lindo nome para um cemitério!)
E construiu no lugar dela
Uma catedral gótica, último modelo.
Eu achei que foi bobagem,
Mas o povo de Minas disse que era progresso.
“[O] movimento de renovação estética, a que se delibe-rou chamar de modernismo, terminou, no Brasil, por uma paradoxal volta ao passado e às suas expressões essenciais”, observa Afonso Arinos, no livro consagrado a Ouro Preto. E, na sequência, adverte:
A recuperação do Brasil pelos seus poetas, músicos, pintores, sociólogos, arquitetos, partiu, incontestavelmente, da ingenuidade onomatopeica dos nossos futuristas da era do Centenário e adjacências. Mas foi do material antigo, dos lundus, modinhas, maleitas, mandingas, engenhos, quitutes, grupiaras e cafezais, que tiramos este moderno amor, esta imensa ternura brasileira, que fazem [Jaime] Ovalle chorar na Lapa; [Olívio] Montenegro e [Gilberto] Freyre beberem cachaça tomando banho de rio no Recife; [Augusto] Meyer espiar o sol de abril despontar no pampa por entre as orelhas do bagual; Luiz Camilo [de Oliveira Neto] escalar, à noite, os arquivos, suspirando pelos infólios qual menestrel enamorado, e [Emílio] Moura, triste como um sabiá na muda, ficar, da ponte preta de Sabará, olhando o velho rio das Velhas carregar, no dorso escuro, o corpo trespassado de D. Rodrigo de Castel Branco.
Desde a criação do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1938, até 1989, Afonso Arinos foi seu integrante, e eu tive a satisfação especial de presidir esse colegiado entre 1985 e 1987, contando com a sua admirável participação, quando ele contribuiu, em especial, com a co-missão que levou subsídios à Assembleia Constituinte, sob a coordenação do conselheiro Modesto Carvalhosa, para a elaboração das normativas sobre patrimônio cultural, os artigos 215 e 216, dos mais ricos e abrangentes preceitos da Carta Magna de 5 de outubro de 1988. Senador constituinte pelo estado do Rio de Janeiro e membro do Conselho do Iphan, ele deu régua e compasso a essa comissão, ao tempo em que exercia regência extraordinária sobre os trabalhos no Congresso. Se a Comissão Afonso Arinos, antevista por Tancredo Neves e criada por José Sarney, não teve seu anteprojeto levado à Assembleia, ele próprio se elegeu constituinte e participou decisivamente do nascimento da “Constituição Cidadã”, de Ulysses Guimarães.
Belo Horizonte inaugurou-se em 12 de dezembro de 1897, com grandes festejos na Praça da Liberdade, e o filho de Afrânio de Melo Franco e de Sílvia Alvim de Melo Franco nasceu no primeiro decênio da então denominada oficialmente Cidade de Minas, ungido das qualidades mais apuradas entre as que ele identifica no perfil genuíno dos maiores mineiros. Sua mãe era filha de Cesário Alvim, o primeiro governador republicano de Minas Gerais, e o pai seria um nume tutelar da Primeira República e da fase inicial da Revolução de 1930, pela marcante passagem no Parlamento e à frente do Ministério das Relações Exteriores.
Os Melo Franco ascendem ao autor satírico de Reino da estupidez (1785), o médico Francisco de Melo Franco (1757-1822), que saiu de Paracatu para estudar na Universidade de Coimbra, cujo espírito arcaico e retrógrado reavivado no reinado ultraconservador de Dona Maria I inspirou a crítica do poeta mineiro. Em Belo Horizonte, a família morava na Praça da República, hoje Praça Afonso Arinos, homenagem ao paracatuense falecido em Barcelona, em 19 de fevereiro de 1916, cuja efígie é vista numa herma no canteiro central, obra do escultor Celso Antônio. Da residência, restam alguns vestígios, no ângulo da Rua Goiás, em frente ao antigo Fórum Lafayette. Ali também passou a infância Rodrigo Melo Franco de Andrade, filho de Dália de Melo Franco e Rodrigo Bretas de Andrade, nascido em 17 de agosto de 1898. Parlamentar e ministro, Afrânio, juntamente com a família, instalou-se depois no Rio de Janeiro, o que fez com que Afonso Arinos cedo deixasse a terra natal, sem alterar o gosto pela junção genuinamente mineira de política e cultura, isto é, da busca pelo poder com a atração pelo mundo das ideias e pelo esmero de sua expressão formal, de acordo com suas palavras na saudação a Tancredo Neves. Seu irmão, Virgílio de Melo Franco, nascido em Ouro Preto, em 12 de julho de 1897, exatos seis meses antes da inauguração de Belo Horizonte, foi até à morte, em 1948, um dos mais atuantes homens públicos de Minas e do Brasil.
Como quem vai e torna não foi, segundo afirma o padre Vieira, Afonso Arinos sempre retornou e cultivou Minas por toda parte, como quando escreveu e publicou, com ilustrações feitas por Pedro Nava, o Roteiro lírico de Ouro Preto (1937). Regressou a Belo Horizonte casado com Ana Guilhermina da Silva Pereira — neta do presidente Rodrigues Alves, carinhosamente chamada Anah —, a fim de tratar dos pulmões, que já o haviam levado à Suíça, também em busca de cura. Promotor de justiça e diretor do recém-criado jornal Estado de Minas (1927), ligado ao império nascente de Assis Chateaubriand, tudo graças ao empenho paterno, viu o futuro embaixador Afonso Arinos Filho nascer na capital mineira, em 11 de novembro de 1930.
“Vou subindo, devagar, a ladeira”, registra, ao final, o autor do "Roteiro lírico…", que ainda diz:
Ouro Preto, derramada entre os seus morros, recebe, como uma bênção, o sol da Aleluia. Agora todos os sinos da cidade estão batendo, batendo, bimbalhando, pela glória do Senhor. Os sons dos sinos esvoaçam no ar, redemoinham sobre a minha cabeça, como uma revoada de pombos.
Mas logo Afonso Arinos desceria outra vez o “Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais”, assim batizado por Pedro Nava na abertura de Baú de ossos.
Armazenando notável erudição, desde cedo Afonso Arinos acentuou o gosto pela história, como evidencia o ensaio O índio brasileiro e a Revolução Francesa, composto entre 1932 e 1937, e desenvolveu a escrita memorialística em sucessivos volumes de radiosa recuperação do tempo. Em 1981, quando Ouro Preto recebeu o título de Patrimônio Mundial, conquistado no ano anterior, em ato com a presença do diretor-geral da Unesco, o senegalês Amadou M’Bow, e do presidente do Iphan, Aloísio Magalhães, foi dele o discurso principal, sintetizado numa frase: “Quem conhece a trajetória de Ouro Preto, de arraial minerador a monumento do mundo, não pode duvidar do destino no Brasil”.
Na laudatio a Tancredo Neves, ao partir de uma categoria geral que chamou “a mineiridade”, Afonso Arinos vai individualizar os elementos dela componentes, caracterizando-os como mineirismo cultural e mineirice política. No Primeiro Reinado e na Regência, identifica Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850) como quem mais equilibrou, de modo possante, a amplidão da cultura com a paixão do poder, fazendo-se expressão máxima do mineirismo cultural e político.
No Império e na República, o mestre belo-horizontino seleciona nomes que encarnaram esse equilíbrio: “Antônio Carlos [Ribeiro de Andrada], Afonso Pena Júnior, Afrânio de Melo Franco, Juscelino Kubitschek, Gustavo Capanema ou José Monteiro de Castro”. E continua:
Em Teófilo Otoni, Cesário Alvim, João Pinheiro, Virgílio de Melo Franco, Milton Campos, Edgard da Mata Ma-chado, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Pedro Nava, o mineirismo prevalece larga-mente, quase não há mineirice, a não ser para o gasto. Em Nava, Drummond, Alphonsus de Guimaraens Filho, Austen Amaro, dá-se, mesmo, o caso raríssimo da falta completa de mineirice. Em Juscelino Kubitschek, José Maria de Alkmin, Magalhães Pinto, José Aparecido é a mineirice que predomina. Caso estranho é o de Guilher-me Machado: ele finge que só tem mineirice, mas não é verdade: Guilherme tem sólida caderneta de poupança de mineirismo. Uma de suas mineirices é esconder-lhe o saldo.
Na sua geração, Afonso Arinos elege “uma galeria imponente” para os dotados de mineirismo cultural, buscando os nomes de Rodrigo Melo Franco de Andrade, Milton Campos, Euríalo Canabrava, Guimarães Rosa, João Alphonsus, João Gomes Teixeira, Abgar Renault, Pedro Nava, Gustavo Capanema, Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Dario de Almeida Magalhães e Paulo Pinheiro Chagas. Já no “campo da mineirice vitoriosa”,19 ele vai perfilar Artur Bernardes, Raul Soares, Bueno Brandão, Antônio Carlos, Mello Viana, “os quais tanto vi [viu] na infância ou juventude”, mais Juscelino, Alkmin, Magalhães Pinto, José Bonifácio Filho (Zezinho), “da minha [sua] geração, ou este endiabrado José Aparecido, da geração mais nova”. O chanceler Afonso Arinos conviveu com José Aparecido de Oliveira nos sete meses do governo Jânio Quadros (1961), quando o irrequieto secretário particular do presidente participou, de maneira ativa, da definição das estratégias internacionais então adotadas.
Guimarães Rosa proclama a mineiridade. Afonso Arinos subdivide-a, sem fraturá-la, porém, com malícia e sutileza, distingue o mineirismo e a mineirice. No primeiro grupo, aparecem aqueles mineiros em que a primazia do trabalho intelectual imprime um certo alheamento às contingências do tempo e do espaço. Têm a sabedoria dos símbolos. No segundo grupamento, o da mineirice, concentram-se os que, com peculiar sagacidade e senso apurado da ocasião, fingindo, porém, desprendimento, ou dispensando veleidades cultas, praticam com excelência as artes da política, seja no âmbito público ou no privado. Detêm o saber das realidades. A graça do mineirismo é a que os franceses chamam espírito, e a da mineirice, a que Afonso Arinos percebe no modo inigualável de o mineiro fazer política, tão fustigado por críticos como “Pinheiro Machado, Washington Luís, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Carlos Castelo Branco, Sebastião Nery”, então evocados.
Minas não é onde o oculto do mistério se escondeu, como canta Caetano Veloso? Não é o que nem os mineiros sabem, conforme admite Drummond? Entre o mineirismo cultural e a mineirice política, os protagonistas da história, sejam mineiros das Minas e/ou geralistas e geraizeiros dos Gerais, classificam-se pendularmente, haurindo dos dois polos que sustentam o arco da mineiridade. Por isso mesmo, o orador esquivou-se de situar Tancredo Neves numa das duas esferas, ao preferir defini-lo como representante exemplar da mineiridade, em trecho histórico no qual o Brasil tanto dele esperava. Mineirice de Afonso Arinos para valorizar o mineirismo do discurso vigoroso e ungir na mineirice do governador de Minas o mineirismo redentor da República dilacerada.
Tudo estava dito. Para rematar a oração acadêmica, Afonso Arinos de Melo Franco recitou uma trova que foi buscar em livro de Miran de Barros Latif. Perfeita para o ponto final, também com ela me despeço:
Minha gente, vou-me embora,
Mineiro está me chamando.
Mineiro tem esse jeito,
Chama a gente e vai andando…
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O artigo acima integra o livro “Nos 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco”, com organização de Arno Wehling e Rogério Faria Tavares e lançamento da Editora Miguilim com 592 páginas.
