O meio ambiente não pede mais por socorro, ele grita!
O Brasil tem aproximadamente 1,2 mil espécies ameaçadas de extinção, ocupando o primeiro lugar em quantidade de peixes ósseos, seguido de invertebrados e aves
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Professor e coordenador na UniCesumar nos cursos EAD de Engenharia Ambiental e Sanitária, Ciências Biológicas, Bem-Estar Animal e Gestão Ambiental. Também é especialista em Biologia de Animais Selvagens, além de mestre e doutor em Genética e Melhoramento
A tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul mostra a urgência de refletirmos sobre nossa relação com o meio ambiente. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, é importante destacar que a preservação perpassa pela responsabilidade coletiva, mas também individual. Enquanto isso não acontece, os impactos devastadores das ações humanas são um lembrete doloroso do que essas atividades podem causar. Isso inclui a exploração desenfreada dos recursos naturais, a ocupação irregular de solos, até poluição e destruição de ecossistemas que contribuem para as alterações climáticas.
Há ainda aqueles que, mesmo com catástrofes como essa, se recusam a acreditar que tudo seja fruto da ação humana. O fato é que a situação é muito mais alarmante. O aumento da temperatura média global é uma tendência preocupante. De acordo com relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as temperaturas médias globais têm aumentado de forma constante nas últimas décadas, impulsionadas principalmente pela emissão de gases de efeito estufa decorrente das atividades humanas, como queima de combustíveis fósseis e desmatamento.
Outro ponto a ser lembrado é que o Brasil é um dos países mais biodiversos do mundo, mas enfrenta uma crise de extinção de espécies. Segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), o país tem aproximadamente 1,2 mil espécies ameaçadas de extinção, ocupando o primeiro lugar em quantidade de espécies peixes ósseos, seguido de invertebrados, aves, mamíferos, répteis, peixes cartilaginosos e anfíbios.
As mudanças climáticas também estão contribuindo para o aumento da incidência de doenças relacionadas ao clima, como malária, dengue, zika vírus e febre amarela. Mudanças nos padrões de temperatura e precipitação podem afetar a distribuição de vetores de doenças, como mosquitos, e aumentar o risco de surtos e epidemias. Em 2024, o Brasil enfrentou – e ainda enfrenta – uma das piores epidemias de dengue das últimas décadas.
Como se não bastassem, os desastres naturais relacionados ao clima, como enchentes, secas, tempestades e incêndios florestais, causam danos significativos à economia brasileira. De acordo com dados do Banco Mundial, o Brasil tem enfrentado um aumento na frequência e na intensidade desses desastres, resultando em custos substanciais para a reconstrução de infraestruturas danificadas, perda de colheitas agrícolas e impactos na saúde e na segurança das comunidades afetadas.
Todos esses agravantes nos fazem crer na necessidade de mudanças de paradigmas, é urgente repensar nosso modelo de desenvolvimento urbano e social. É preciso adotar práticas mais sustentáveis em todas as áreas, desde a agricultura e indústria, até um meio de transporte e consumo. Isso inclui investir em fontes de energias renováveis, conservação de recursos naturais e proteção da biodiversidade.
E, diante de tragédias já instaladas, se faz indispensável a solidariedade e ação coletiva imediata, seja com mobilização de esforços de socorro e recuperação com as comunidades afetadas. Além disso, é essencial unir forças para enfrentar os desafios ambientais globais, como as mudanças climáticas, por meio da cooperação internacional e da adoção de políticas ambientais mais ambiciosas que devem ser aplicadas com rigor.