Caso Renato Cariani: MP pede condenação e pena pode passar de 50 anos
Promotoria pede pena de até 51 anos de prisão em caso envolvendo o influenciador; entenda os próximos passos até a sentença final da Justiça
compartilhe
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou na quarta-feira (21/10) suas alegações finais e pediu a condenação do empresário Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A promotoria também requereu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos delitos. O órgão solicitou à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, e de Andréia Domingues Ferreira.
Leia Mais
-
Mineiro foragido por tráfico e fabricação de anabolizantes é preso no Rio
-
MG: academia é alvo de ação contra grupo que movimentou R$ 4,5 milhões
-
'Chacina de Itabirito': homem é condenado a mais de 125 anos de prisão
Cálculo das penas solicitadas
A alegação final representa a última manifestação do Ministério Público antes da sentença judicial. A pena para cada réu pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, com aplicação de multas.
O cálculo considera a seguinte composição:
-
associação para o tráfico;
-
59 crimes de lavagem de dinheiro;
-
aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Contudo, o limite legal de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos, independentemente da soma total das condenações.
Atuação dos investigados e desvios
Cariani virou réu em fevereiro de 2024, após indiciamento pela Polícia Federal em dezembro de 2023 durante a Operação Hinsberg. A apuração apontou fraudes na venda de insumos da empresa Anidrol, sediada em Diadema, destinados ao refino de crack e cocaína.
Leia Mais
Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), a Anidrol simulou por 59 vezes a venda para empresas sem pedidos reais. Cariani simulava pedidos fictícios para justificar as retiradas de produtos químicos.
A apuração começou em 2019, após a farmacêutica AstraZeneca informar a emissão de notas fiscais não reconhecidas de 2017. As apurações indicam que Fábio Spínola criou um e-mail falso em nome de funcionário da farmacêutica, intermediou entregas ao narcotráfico e efetuou depósitos em dinheiro na conta da Anidrol.
Rodrigo Pereira geria a movimentação financeira ilícita para conceder aparência de licitude aos valores. Mensagens telefônicas revelaram contato próximo entre Cariani e o policial civil Anadré Dziuba, envolvendo repasse de dados sobre diligências e sugestões de alvos concorrentes para fiscalização.
Em diálogo de abril de 2019 anexado ao processo, Cariani respondeu que determinada substância sob consulta era "utilizada para aumentar o rendimento da cocaína". Casado com Tatiane Martines Cariani, o influenciador de 50 anos acumula mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de inscritos no YouTube.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie.