Autor do impeachment de Dilma apoia Lula e ataca Flávio: 'Cuidado com o precipício'
Em carta aberta, Miguel Reale Junior defende o voto em Lula no segundo turno: jurista destaca a defesa da democracia e o equilíbrio institucional
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O advogado Miguel Reale Junior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso publicou a carta intitulada "Cuidado com o precipício" no Instagram para justificar o posicionamento.
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No texto, o jurista afirma que a escolha pelo senador Flávio Bolsonaro significa validar a anistia aos participantes dos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o advogado, o voto no parlamentar legitima a tentativa de tomada do poder pela força e demonstra desamor à democracia.
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Críticas à segurança e política externa
Reale Junior também criticou o alinhamento de Flávio Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump. O candidato criticou a classificação de facções criminosas como grupos terroristas. Para o jurista, essas organizações operam com objetivo econômico e a postura abre brecha para uma intervenção dos Estados Unidos no território brasileiro.
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Outro ponto abordado envolve a inspiração no modelo de segurança pública de El Salvador. O advogado destacou que a estratégia promove o aprisionamento preventivo em massa de milhares de investigados, o que gera repressão sem o devido processo penal e cria um estado policial opressor.
Avaliação institucional e histórico eleitoral
Embora aponte o desgaste da imagem do Partido dos Trabalhadores, Reale Junior ponderou que as gestões petistas preservam a independência institucional e rejeitam tentativas de golpe militar. O jurista alertou para os riscos decorrentes da composição do Congresso Nacional, que elegeu parlamentares de direita radical contrários a cotas, direitos de minorias e causas feministas.
A manifestação repete a decisão tomada em 2022, quando Reale Junior declarou apoio a Lula no primeiro turno com o objetivo de afastar ameaças autoritárias. Na primeira etapa da eleição de 2026, realizada no domingo (4/10), Flávio Bolsonaro liderou a votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente registrou 45,16% da preferência do eleitorado.
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