A estudante Isabelle Caracristi, encontrada morta em um prédio de Fortaleza, enviou mensagens a um familiar horas antes do ocorrido. No texto, ela pedia para que o parente não acreditasse na versão do namorado, João Munhoz Neto, caso algo lhe acontecesse.

A jovem de 22 anos também compartilhou a senha do seu celular e pediu que o aparelho fosse entregue à polícia. O telefone está em posse da Polícia Civil e passa por análise dos investigadores.

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A morte da universitária aconteceu em 13 de setembro, mas o caso ganhou repercussão após a mãe, a professora Isorlanda Caracristi, cobrar explicações nas redes sociais em 18 de setembro. Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e conheceu João Munhoz em um escritório de advocacia onde estagiou por cerca de 20 dias, pedindo desligamento em agosto por "razões de ordem pessoal".

Prisão preventiva

João Munhoz, de 34 anos, teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara do Júri de Fortaleza. A Polícia Civil baseou o pedido nos seguintes artigos do Código Penal:

  • Artigo 122: induzir ou instigar alguém ao suicídio ou à automutilação.

  • Artigo 147: ameaça.

O mandado foi cumprido em um apartamento no bairro Aldeota, nesta terça-feira (22). A advogada de defesa, Lígia Peixe, criticou a prisão, afirmando que seu cliente havia se apresentado voluntariamente um dia antes, entregado o celular e se colocado à disposição para ser ouvido.

A investigação está a cargo de um Grupo Especial de Investigação (GEI), que já ouviu sete pessoas. Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras são analisados. O celular e um tablet da mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, servidora da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), foram apreendidos.

Morte de Isabelle

Isabelle Caracristi foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e a família dele. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou lesões no corpo da jovem "compatíveis com o impacto contra o solo". Exames laboratoriais não detectaram substâncias de interesse toxicológico.

Dias antes, a mãe de Isabelle relatou que a filha se queixou de dores no pescoço e passou o fim de semana com ela. Isorlanda Caracristi percebeu que a jovem recebia muitas mensagens do namorado, a quem descreve como controlador.

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No domingo à noite, Isabelle enviou duas últimas mensagens à mãe. Uma pedia para olhar uma comida na airfryer e a outra dizia: “Mãe, eu te amo”. Sem resposta posterior, a professora imaginou que a filha tivesse dormido devido a um relaxante muscular que havia indicado. Na manhã seguinte, sem contato, ela tentou ligar para o namorado da filha.


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