Apenas 15 dias após entrar na fila de adoção, o telefone de Thaynna Desirêe Bueno Rubele, de 31 anos, tocou em agosto de 2025. A notícia era sobre três irmãos compatíveis com o perfil da família: Carlos, com 6 anos, Aghata, 3, e Emily, com 10 meses.

Antes de encontrarem Thaynna e o marido, as crianças haviam sido recusadas por mais de 70 pretendentes. Moradora de Ampére, no Paraná, e empreendedora, ela conta que a chegada dos filhos foi mais rápida do que o esperado.

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“Nunca ganhei na loteria, mas, quando escutei na ligação que estavam procurando uma família para três crianças, foi praticamente a mesma coisa. Foi nossa melhor decisão”, afirma Thaynna.

O caminho da adoção

A adoção já estava nos planos do casal, mas a decisão foi antecipada após um diagnóstico de endometriose de Thaynna. Na mesma semana em que soube da dificuldade para engravidar, eles decidiram entrar na fila. O processo de habilitação levou nove meses.

A espera pelas crianças, no entanto, durou somente 15 dias. “Não tivemos dúvidas na hora de decidir. Foi tão simples quanto um teste de gravidez positivo”, relata a mãe.

O primeiro encontro

Dez dias após a ligação, o casal viajou por 12 horas para conhecer os filhos. Carlos e Aghata viviam com uma família acolhedora, enquanto Emily havia sido encaminhada para um lar diretamente da maternidade. O encontro foi descrito como um misto de emoções.

Após quatro dias de visitas no abrigo, as crianças foram passar o fim de semana com os pais no hotel. A adaptação foi tão boa que um juiz autorizou que permanecessem com o casal. “Era para devolvê-los na segunda-feira, mas eles não quiseram ir”, relembra Thaynna.

A espera dos irmãos

Segundo a mãe, a recusa por parte de outros pretendentes ocorria por preconceito. “Alguns aceitavam pelo perfil, mas, quando viam a foto, recusavam. A justificativa era que, no perfil, eles estavam como pardos, mas, quando viam as fotos, diziam que eram pretos”, explica.

Thaynna destaca que o processo foi rápido porque ela e o marido aceitaram os três irmãos antes mesmo de ver as fotos. “Não estávamos esperando o filho idealizado”, diz.

Adaptações e conquistas

A nova rotina exigiu aprendizados rápidos. Os pais aprenderam a cuidar de uma bebê, a lidar com as birras de Aghata e a ajudar Carlos a evoluir na locomoção e perder o medo de errar. Ele tem uma forma leve de paralisia cerebral que causou atrofia nas pernas.

Com os cuidados, Carlos melhorou o equilíbrio e segue evoluindo. Em cerca de um mês, Aghata já expressava melhor seus sentimentos. A família estabeleceu uma rotina com horários definidos, contando com o apoio da mãe de Thaynna.

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“Saímos de casa sozinhos e voltamos para casa com três filhos. E, mesmo ouvindo que era loucura, que talvez não déssemos conta, faríamos tudo exatamente igual. O amor não nasce pronto, ele se constrói. E, de repente, entre um gesto e outro, a gente percebe que não saberia mais viver sem eles.”

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