Uma ação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública cumpriu mandados nessa terça-feira (15/9) em quatro estados e no Distrito Federal contra redes cibernéticas acusadas de chantagear crianças e adolescentes na internet. A operação resultou na apreensão de seis adolescentes.

A Polícia Civil apura a prática de "escravidão digital" e indução ao suicídio. O caso teve início após a morte de uma menina de 13 anos, que foi transmitida nas redes e motivou medidas contra a plataforma Discord.

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Esta é a segunda fase da Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A ação contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do ministério e das polícias civis da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e do Distrito Federal.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca domiciliar e seis medidas cautelares contra adolescentes. A nova etapa decorre da análise de celulares e computadores apreendidos na primeira fase da investigação, quando foram identificados novos suspeitos de gerenciar comunidades virtuais.

Como funciona a "escravidão digital"

Segundo os investigadores, os grupos praticavam a "escravidão digital", termo usado para definir dinâmicas de chantagem e controle no ambiente virtual. Nessa prática, os alvos sofrem ameaças constantes para cumprir ordens dos integrantes.

As exigências impostas às vítimas incluem atos de violência, misoginia, maus-tratos a animais e automutilação. A Operação Lívia faz referência à adolescente cuja morte deu origem às apurações, após ela sofrer pressões e ameaças de integrantes dessas comunidades.

O caso levou o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União a cobrarem explicações do Discord sobre falhas na verificação de idade e segurança de menores. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também abriu um processo de fiscalização.

Em nota, o Discord afirmou manter sistemas para prevenir exploração e aliciamento, além de usar tecnologia para remover conteúdos que violam suas diretrizes. A plataforma informou ter desativado um servidor privado vinculado a atividades criminosas antes do episódio, argumentando que os fatos envolveram múltiplas redes.

A empresa sustentou que cumpriu todos os prazos em negociações com a Advocacia-Geral da União e que segue à disposição para cooperar. A polícia busca agora localizar outras possíveis vítimas para encaminhá-las à rede de proteção social e de saúde.

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Justiça orientam que pais e responsáveis monitorem o acesso de crianças e jovens a fóruns e grupos fechados em aplicativos de mensagens.

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