O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) protocolou na última segnda0feira (14/9), uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o empresário Fernando Sarney. A petição, dirigida ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, acusa o filho do ex-presidente José Sarney de pressionar uma produtora de cinema a firmar um acordo de delação premiada para incriminá-lo.

Segundo a representação enviada ao STF, a ação pode configurar coação no curso do processo, um crime que visa obstruir a justiça. O parlamentar sustenta que Sarney ofereceu vantagens para obter um depoimento direcionado e prejudicial à sua defesa.

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A produtora em questão é Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme "Dark horse". De acordo com os advogados de Bolsonaro, Fernando Sarney teria oferecido a ela apoio jurídico e até mesmo imunidade em troca de sua colaboração com investigações que envolvem o senador.

A denúncia ganhou corpo a partir de um documento encontrado pela Polícia Federal. Em uma operação de busca e apreensão contra a própria produtora, autorizada pelo ministro Flávio Dino e realizada em 10 de setembro, os agentes localizaram uma declaração juramentada escrita por Karina. O documento já havia sido registrado em cartório em 4 de setembro, antes da ação policial.

Neste documento, a produtora relata duas tentativas de contato do empresário. Na primeira, em 20 de maio de 2026, a chamada não foi atendida. O contato efetivo ocorreu em 22 de maio, ocasião em que Sarney teria mencionado sua “grande proximidade com o ministro Flávio Dino”, relator de uma apuração no STF ligada ao longa-metragem.

A menção ao ministro do Supremo teria sido uma forma de demonstrar influência e capacidade de interferir nos rumos do processo, segundo a interpretação da defesa de Flávio Bolsonaro. O objetivo seria convencer a produtora a aceitar o acordo proposto.

Karina Ferreira da Gama, no entanto, afirmou no mesmo documento ter recusado a oferta. Ela registrou que não via motivos para colaborar com uma delação, declarando não possuir elementos para incriminar terceiros, e que preferia exercer seu direito de defesa de maneira regular.

A produtora também narrou na declaração que, além de Fernando Sarney, um pastor evangélico e possivelmente outros intermediários teriam feito tentativas de abordagem com o mesmo propósito. Os nomes desses outros supostos envolvidos não foram divulgados publicamente.

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Do outro lado, Fernando Sarney nega veementemente as acusações. Por meio de sua defesa, o empresário afirmou que não conhece a responsável pela produção cinematográfica e rechaçou ter mantido qualquer tipo de contato ou exercido pressão para que ela fizesse uma delação premiada.


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