O avanço do fenômeno El Niño acende um alerta para o setor elétrico brasileiro, com previsões indicando um possível impacto na conta de luz dos consumidores a partir de setembro de 2026. Embora a situação em agosto não seja crítica, a tendência é de um cenário mais seco para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentram os principais reservatórios do país. Essa condição climática futura pode reduzir a capacidade de geração das usinas hidrelétricas.
Com uma possível diminuição dos níveis dos reservatórios nos próximos meses, o sistema elétrico nacional poderá precisar recorrer às usinas termelétricas para garantir o fornecimento de energia. Essas usinas, que funcionam a partir da queima de combustíveis como gás natural e carvão, têm um custo de operação muito superior ao das hidrelétricas, o que impacta diretamente o valor final da conta de luz.
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O que é o El Niño e como ele afeta o Brasil?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Essa mudança de temperatura altera os padrões de vento e chuva em diversas partes do mundo. No Brasil, seus efeitos são contrastantes: enquanto provoca chuvas acima da média na região Sul, tende a causar tempo mais quente e seco no Sudeste, Centro-Oeste e partes do Norte e Nordeste. As previsões indicam alta probabilidade de um evento forte, que deve persistir até o início de 2027.
Qual o impacto esperado nos reservatórios de energia?
O principal risco do El Niño para o setor elétrico é a possibilidade de uma estiagem mais severa nas regiões estratégicas para a geração hidrelétrica. O Sudeste e o Centro-Oeste abrigam cerca de 70% da capacidade de armazenamento de água do Sistema Interligado Nacional (SIN). Uma diminuição significativa do volume de água comprometeria a produção de energia e pressionaria todo o sistema.
A situação é monitorada constantemente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que avalia a necessidade de acionar outras fontes para complementar a oferta de energia e evitar riscos de desabastecimento. A intensidade e a duração do fenômeno serão determinantes para o cenário dos próximos meses.
Por que a conta de luz pode ficar mais cara?
Um eventual aumento na conta de luz ocorreria porque o custo extra gerado pelo acionamento das termelétricas é repassado aos consumidores por meio do sistema de bandeiras tarifárias. Criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o mecanismo sinaliza o custo real da geração de energia e permite que os consumidores adaptem seu consumo.
Como funcionam as bandeiras tarifárias
O sistema de bandeiras tarifárias é uma forma de apresentar o custo da geração de energia de maneira transparente. Ele funciona com base em cores que indicam se haverá ou não um acréscimo no valor da energia a ser paga pelo consumidor final.
Bandeira verde: as condições para a geração de energia são favoráveis e a tarifa não sofre nenhum acréscimo.
Bandeira amarela: as condições de geração são menos favoráveis, implicando um custo adicional na tarifa.
Bandeira vermelha (Patamar 1 e 2): as condições são críticas, com o acionamento de usinas termelétricas. Nestes casos, o custo adicional na conta de luz é significativamente maior.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
