Do Instagram para a Câmara: conheça alguns influenciadores que viram políticos no Brasil
Das redes sociais para o parlamento; perfis com milhões de seguidores testam força eleitoral e enfrentam desafios da política
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A influenciadora, atriz e cantora Sophia Barclay, que se apresenta como "a maior voz anti-woke do Brasil" e acumula mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, oficializou em abril de 2026 sua filiação ao PL e sua pré-candidatura a deputada federal por São Paulo para as eleições de 2026. A confirmação ocorreu em reunião direta com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. A entrada de Barclay no PL, vindo do partido Novo, movimenta o debate sobre a crescente migração de personalidades da internet para a política institucional no Brasil.
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O que é a transição de influenciador para político?
É o processo no qual personalidades com grande número de seguidores em plataformas como Instagram, YouTube e TikTok utilizam sua popularidade para disputar cargos eletivos. Essa estratégia transforma o capital social digital em capital político, buscando converter o engajamento online em votos reais nas urnas.
Quais influenciadores já entraram para a política?
O fenômeno não é novo e já apresenta casos de sucesso em diferentes espectros políticos. A força eleitoral de figuras da internet ficou evidente nos últimos pleitos, com vários perfis conseguindo vagas no Legislativo.
Nikolas Ferreira (PL-MG): Começou ganhando notoriedade com vídeos no YouTube criticando a esquerda e foi eleito o deputado federal mais votado do Brasil em 2022, com mais de 1,4 milhão de votos. É praticamente o case definitivo de influenciador que virou político de sucesso.
Kim Kataguiri (PSDB-SP): Originário do ativismo digital com o Movimento Brasil Livre (MBL), construiu sua trajetória política desde a internet até conquistar e exercer mandatos na Câmara dos Deputados.
Zoe Martínez (PL-SP) — construiu mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram como comentarista antes de virar vereadora eleita em São Paulo em 2024. Já usamos ela em outra matéria nesta conversa, então você já tem material verificado sobre a trajetória dela.
Sarah Poncio (PL-RJ) — mais de 3 milhões de seguidores, foi suplente em 2022 e assumiu o mandato de vereadora do Rio em janeiro de 2025. Um bom exemplo de "sucesso via suplência", caminho menos óbvio, mas real.
O que eles têm em comum?
Por trás de casos como Nikolas Ferreira, Zoe Martínez e Sarah Poncio existe um mecanismo bem estudado pela comunicação política, que ajuda a explicar por que audiência digital se converte em voto com tanta eficácia.
A base teórica remonta à teoria do fluxo em duas etapas (two-step flow), formulada pelo sociólogo Paul Lazarsfeld nos anos 1940, ao estudar a eleição presidencial americana de 1944. Segundo essa teoria, a mensagem política raramente chega ao eleitor comum diretamente pelos canais oficiais de campanha; ela passa antes por um interlocutor de confiança, um "líder de opinião", que filtra, traduz e reforça a mensagem para seu círculo de influência. O que mudou da década de 1940 para hoje não foi o mecanismo, mas o canal: o líder de opinião de antes virou o influenciador digital de agora.
Analistas de comunicação política apontam pelo menos três características recorrentes nesses casos de sucesso:
Transferência de autoridade: quando o eleitor já confia no humor, na inteligência ou no caráter de um influenciador, ele tende a levar a sério também o posicionamento político dessa pessoa, mesmo sem necessariamente concordar com tudo. A opinião do influenciador vira um ponto de partida legítimo, não uma verdade a ser copiada.
Tradução para linguagem acessível: temas políticos complexos, cheios de siglas e jargões técnicos, são traduzidos em memes, analogias e exemplos do cotidiano, muito mais fáceis de absorver do que o discurso institucional tradicional.
Alcance além da bolha: enquanto um candidato tradicional fala principalmente com quem já está engajado com ele, o influenciador consegue romper bolhas algorítmicas e alcançar públicos que a campanha oficial dificilmente chegaria sozinha, especialmente entre jovens eleitores.
Esse fenômeno já é objeto de estudo em universidades brasileiras, incluindo pesquisas recentes sobre a atualização da teoria de Lazarsfeld para explicar a polarização e a formação de opinião nas redes sociais no país.
Quais os principais desafios para esses novos políticos?
O principal obstáculo é a transição da persona online para a articulação política real. O Congresso Nacional exige negociação, construção de alianças e conhecimento técnico, habilidades que nem sempre fazem parte do universo das redes sociais.
A exposição constante também se torna uma vulnerabilidade. O histórico de publicações e vídeos pode ser usado por adversários, e a pressão por manter o engajamento pode levar a posicionamentos polêmicos que não se sustentam na prática legislativa.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.