Os primeiros passos da nova direita
Nikolas reúne seguidores em todos os estados e opera como polo de mobilização digital capaz de transferir visibilidade e engajamento a aliados locais
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
A política brasileira passou a medir poder por novos parâmetros. Em 2025, um deles se impôs com clareza: o engajamento nas redes sociais. É o que revela o estudo Top 100 Políticos Brasileiros Mais Influentes no Instagram em 2025, da Zeeng, que analisou quase 3 mil políticos, 917 mil publicações e 3,9 bilhões de interações ao longo do ano. O ranking não considera número de seguidores, mas a média de engajamento por post, métrica usada para identificar quem mobiliza bases e pauta o debate público.
No topo da lista aparece Nikolas Ferreira (PL-MG). O dado ganha peso político quando observado fora das telas. Enquanto lidera o ranking digital, o deputado federal mineiro conduz uma caminhada de mais de 200 quilômetros rumo a Brasília, transformando influência virtual em ato presencial e em conteúdo contínuo para as redes.
A pesquisa ajuda a dimensionar o fenômeno. Segundo o levantamento, a direita concentra 69% dos políticos mais influentes no Instagram, com predominância do Partido Liberal, responsável por 40% dos perfis do ranking. O estudo aponta ainda que 71% dos nomes mais influentes pertencem ao Poder Legislativo, sobretudo deputados federais. Há concentração regional no Sudeste e um desequilíbrio de gênero evidente: 80% dos influenciadores políticos são homens.
O que aparece nas redes como engajamento, no caso de Nikolas, tem correspondência concreta na política institucional. No ciclo eleitoral mais recente, ele atuou diretamente na escolha, apoio e impulsionamento de candidaturas a vereadores e prefeitos em diferentes regiões do país, com foco especial em cidades do interior. Nos bastidores, o grupo ficou conhecido como “22.222”, em referência ao número recorrente nas campanhas. Muitos dos apadrinhados se elegeram, ampliando a capilaridade em câmaras municipais e administrações locais.
Nikolas reúne seguidores em todos os estados e opera como polo de mobilização digital capaz de transferir visibilidade e engajamento a aliados locais. A influência independe de presença física constante e passa a se apoiar na ativação remota de bases, convertendo audiência em força política organizada.
É nesse contexto que a “Caminhada pela Justiça e Liberdade” se torna reveladora. Narrada em tempo real nas redes do deputado, a marcha combina ritual, rotina e estratégia de comunicação. Há vídeos diários, falas diretas aos seguidores e registros sistemáticos de cada parada. O ato, embora apresentado como manifestação política, funciona sobretudo como instrumento de manutenção de engajamento.
O uso de recursos digitais para ampliar a narrativa ficou explícito nesta semana, quando Nikolas recorreu à inteligência artificial para dar mais corpo à caminhada. Uma imagem publicada na quarta-feira (21) em um de seus perfis no Instagram, que ultrapassou 1,2 milhão de curtidas, tentou sugerir um protesto robusto e numeroso, mas entregou o artifício. Rostos deformados, característica comum de imagens geradas por IA, e cartazes com frases sem sentido, como “JUHHOM E MO NA SE!!” e “GCCORDA DE VIEOD ENIORAMZAL BRASIA”, expuseram a manipulação visual.
Nos bastidores, a movimentação é tratada como extensão do ecossistema digital que sustenta Nikolas. Há planejamento logístico, estrutura de apoio, oferta de alimentação e até massagistas voluntários ao longo do percurso, além de atenção constante à produção de imagens. O corpo em movimento vira ativo político. O trajeto vira narrativa. A mobilização deixa de ser meio e passa a ser fim.
É nesse modelo que começa a se delinear uma vertente própria dentro da direita brasileira. O chamado “nikolismo” não se organiza a partir de um programa claro ou de uma agenda legislativa definida, mas da mobilização permanente, da relação direta com a base e da ocupação contínua do espaço digital. A política se estrutura menos em torno de propostas e mais em torno da capacidade de manter atenção, engajamento e identidade.
Caminhada com açaí
Do story para o asfalto, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) resolveu sair da timeline e aparecer na caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O registro da vez veio em tom informal: depois do discurso contra “o sistema”, Cleitinho publicou um novo story tomando açaí com leite condensado em uma barraca de apoio feita por admiradores do deputado federal.
Simões
O vice-governador Mateus Simões (PSD) disse nesta sexta-feira que a deputada estadual Lud Falcão (Podemos) usa a pauta das mulheres “para construir uma narrativa de vitimização que não corresponde aos fatos”. Em nota, ele afirmou também: “A pauta das mulheres merece respeito, responsabilidade e não pode ser instrumentalizada politicamente”. A deputada acusou o vice de ameaçá-la de retaliação após seu marido, o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Luis Eduardo Falcão (sem partido), publicar um vídeo com críticas à atuação do governo estadual na relação com as prefeituras.
“Machismo”
Em vídeo publicado em suas redes sociais, a deputada Lud Facão relata que no último dia 21 recebeu ligação de Mateus Simões, na qual o vice-governador teria condicionado o atendimento de demandas apresentadas por ela ao Executivo estadual a um pedido de desculpas de Luís Eduardo Falcão. A deputada acusou o governador de machismo e questionou o fato de ele ter ligado para ela e não para Falcão. Inicialmente, Simões evitouresponder publicamente a postagem da deputada, que é vice-líder do governo Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa, mas nesta sexta-feira (23) mudou de ideia após a enorme repercussão do caso.
Esquerda aquece
Sem um nome definido à esquerda, o nervosismo começou a dar as caras e novos rostos passaram a circular nos bastidores. O ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (sem partido) foi “cantado” pelo Partido Verde (PV) para disputar o governo de Minas como possível palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, segundo o presidente da sigla, Osvander Valadão. Já a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart Almeida, entrou no radar do Partido dos Trabalhadores (PT) como alternativa caso o senador Rodrigo Pacheco (PSD) siga fora da disputa pelo Palácio Tiradentes.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
