Admiráveis ou desprezíveis: campanha propõe avaliar atitudes de brasileiros
Brasil Tipo A receberá exemplos enviados pelo público nas redes sociais. Organizadores dizem não ter orientação partidária
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo independente de empresários e publicitários lançou nessa quarta-feira (5/8) uma campanha para estimular uma discussão nas redes sociais sobre atitudes e comportamentos de brasileiros.
Batizada de "Brasil Tipo A", a iniciativa dividirá os exemplos enviados pelo público entre "tipo A", de admirável, e "tipo D", de desprezível. A proposta é usar a lógica binária presente no debate público, segundo a avaliação do grupo, para discutir que imagem o país projeta e quais condutas seus participantes desejam valorizar ou rejeitar.
"Existem muito mais do que 50 tons de cinza entre o preto e o branco. Acho que a gente não deve ser dual", afirmou o publicitário Carlos Chiesa, um dos idealizadores da campanha. "Mas, como estamos com essa configuração mental de pensar que tudo é contra ou a favor, pensei em usar esse mecanismo para discutir que tipo de país queremos ser."
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A ideia surgiu de um artigo publicado por Chiesa na Folha de S. Paulo após a eliminação do Brasil pela Noruega na Copa do Mundo, em julho. O material de apresentação usa o episódio como ponto de partida para comparar indicadores dos dois países e perguntar "que tipo de país nós somos".
"Não são os 26 caras que foram para a Copa, não é o técnico. Eu sou responsável, você é responsável, todos nós somos responsáveis pela imagem de país que estamos transmitindo", disse Chiesa. "Essa conversa começa pelo alicerce, não por cima."
A previsão dos organizadores é que os perfis entrem no ar nesta quarta no Instagram e no Facebook e cheguem ao LinkedIn na quinta (6/8). Usuários poderão enviar exemplos de pessoas, ações ou iniciativas que considerem admiráveis ou desprezíveis.
A equipe pretende publicar e estimular o debate sobre as contribuições nos próprios perfis. Não haverá, ao menos inicialmente, uma votação formal. "É uma coisa efetivamente de baixo para cima", afirmou Chiesa. Segundo ele, o projeto poderá adotar mecanismos de moderação conforme a participação crescer.
Chiesa disse que a iniciativa não tem orientação partidária nem foi criada para interferir na eleição de 2026. Ele reconheceu, porém, que candidatos e comportamentos políticos poderão entrar no debate a partir das manifestações dos usuários.
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"Não vou induzir nada, não é minha intenção escolher o candidato A, B, C ou D", afirmou. "O objetivo é mais a fundo: que tipo de gente somos, que tipo de povo somos. Para mim, isso é o alicerce; a campanha eleitoral é o topo."