RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, réu pela morte do menino Henry Borel, 4, em 2021, vai tentar adiar o júri popular marcado para esta segunda-feira (23/3). A mãe de Henry, Monique Medeiros da Costa e Silva, também é ré.
Zazone Júnior, advogado de defesa de Jairinho, afirmou que vai pedir que a sessão não aconteça nesta segunda, sob alegação de que não teve tempo hábil para acessar todo o conteúdo do processo.
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O júri popular está marcado para a manhã desta segunda e uma possibilidade é que a defesa anuncie o abandono do processo. Neste caso, o Tribunal de Justiça deve marcar nova data.
A programação é que o julgamento tenha 27 testemunhas -não há a confirmação de que a babá de Henry, Thayná de Oliveira, vai comparecer. Ela foi intimada.
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O júri é formado por sete pessoas. Parte delas precisou esperar cerca de 30 minutos na porta do TJ para acessar o prédio.
"A defesa não teve acesso ao conteúdo total ao computador do Leniel (Borel, pai de Henry)", diz Zazone. "A magistrada tentou dar celeridade facilitando o acesso à defesa, mas ele veio de forma tardia. O julgamento pode acontecer sem que a defesa tenha conhecimento total das provas".
O advogado Cristiano Medina, assistente de acusação, afirmou que "vai requerer à juíza que seja aplicada uma multa à defesa", caso a estratégia seja feita.
"Estamos aqui diante de um caso cujas provas são irrefutáveis. Não há dúvida alguma de que Jairo, na madrugada de 8 de março, torturou de forma cruel Henry Borel", afirmou Medina.
Jairinho e Monique com Henry Borel no elevador do prédio onde moravam, no Rio de Janeiro
Florence Rosa, representante da defesa de Monique Medeiros, afirmou que a mãe de Henry é inocente, foi vítima de relacionamento abusivo e que vai defender a condenação do "verdadeiro" autor, que, segundo ela, é Jairinho.
Na entrada do Tribunal de Justiça do Rio, no centro, há um grupo apoiadores de Leniel. São familiares de vítimas de morte violenta. Entre elas Sonia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio.
"Já tivemos outro casos julgados, como o da Flordelis, a menina Vitória, casos emblemáticos no Brasil que já tiveram justiça e no meu filho até hoje não teve", afirmou Leniel Borel.
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ENTENDA O CASO
Henry morreu aos 4 anos após dar entrada em um hospital na zona oeste do Rio com múltiplas lesões pelo corpo. O caso teve grande repercussão nacional e levou à criação da Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção a crianças vítimas de violência. Um dos pontos centrais é o aumento de pena para homicídios cometidos no ambiente doméstico contra menores de idade.
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A lei tornou o homicídio contra menores de 14 anos um crime hediondo, qualificado, com penas de 12 a 30 anos, além de implementar medidas protetivas de urgência semelhantes às da Lei Maria da Penha.
