RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) o inquérito que apurou a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos sofridos pelo cão Caramelo, em Florianópolis.

No caso de Orelha, a corporação pediu a internação de um adolescente apontado como autor da agressão. No episódio envolvendo Caramelo, quatro adolescentes foram representados pela corporação.

Por se tratarem de suspeitos menores de 18 anos, a Polícia Civil não divulgou nomes, idades nem a localização dos envolvidos. A investigação seguiu os parâmetros do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prevê sigilo absoluto em procedimentos envolvendo crianças e adolescentes.

No caso de Orelha, três adultos -dois pais e um tio de adolescentes investigados- foram indiciados sob suspeita de coação a testemunhas.

Os procedimentos foram conduzidos pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, ambas da capital. O inquérito foi remetido ao Ministério Público e ao Judiciário.

Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no norte da ilha de Florianópolis, região marcada por condomínios de alto padrão.

De acordo com laudos da Polícia Científica, o animal sofreu um golpe contundente na cabeça, que pode ter sido causado por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. Resgatado por moradores no dia seguinte, ele morreu em uma clínica veterinária devido à gravidade dos ferimentos.

Para identificar o autor do ataque, a Polícia Civil diz ter analisado mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança da região, ouvido 24 testemunhas e investigado oito adolescentes. A apuração também contou com a análise de vestimentas usadas pelo suspeito, registradas em filmagens, e com o uso de um software de origem francesa para cruzar dados de localização no momento do crime.

Segundo os investigadores, o adolescente apontado como autor saiu de um condomínio da região às 5h25 da manhã e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Em depoimento, ele afirmou que havia permanecido no local, na área da piscina, versão desmentida pelas imagens e por testemunhas.

No mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, o adolescente viajou para fora do Brasil, permanecendo no exterior até 29 de janeiro. No retorno, foi interceptado no aeroporto.

Na ocasião, segundo os investigadores, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom que havia sido identificado nas gravações. Esse parente também declarou que o agasalho teria sido comprado durante a viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, usada no dia do ataque.

De acordo com a Polícia Civil, o sigilo da investigação foi mantido para evitar vazamentos que pudessem levar à fuga do suspeito ou ao descarte de provas, como o celular. Diante da gravidade do caso Orelha, a corporação solicitou a internação do adolescente.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

No caso de Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos. Segundo a investigação, o cão teria sido arremessado ao mar, mas conseguiu escapar. Posteriormente, ele foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

compartilhe