Cobrança por Justiça

Cão Orelha: 'são assassinos, não são crianças', gritam manifestantes em ato

No protesto na AV. Paulista, participantes pediam justiça pelo animal, que foi agredido em 4 de janeiro, por causa da gravidade dos ferimentos.

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Manifestantes organizaram um protesto na manhã deste domingo (1º), na avenida Paulista, em São Paulo, para Orelha, cachorro morto na Praia Brava, em Florianópolis. Sob gritos de "assassinos", "covardes" e "crime hediondo", eles pediam justiça pelo animal, que foi agredido em 4 de janeiro e submetido a eutanásia no dia seguinte, por causa da gravidade dos ferimentos.

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Os participantes demandaram punição aos envolvidos e a redução da maioridade penal em cartazes e gritos de ordem. A polícia investiga adolescentes sob suspeita de envolvimento no crime.

"Deveriam colocar esses moleques na cadeia, porque eles não são crianças. Crianças não fazem isso. Eles merecem", diz a fotógrafa Dafne Teixeira, 35, que levou um desses cartazes.

Muitos foram ao ato com seus animais de estimação, como a maquiadora Jaciara Moura, 32, dona dos cachorros Helena, de 4 anos, e Bob, de 5. "Somos pais de pets e nos comovemos muito com essa situação, porque eles não têm voz. A gente que tem que lutar por eles", ela diz.

A concentração começou às 10h, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo). O grupo ocupou cerca de duas quadras da avenida.

Como os suspeitos do ataque ao animal são menores de 18 anos, eles não podem responder por crimes, apenas por atos infracionais análogos a crimes.

 Punição

A defesa de dois dos jovens publicou nota dizendo que não há vídeo ou imagens que comprovem o momento do suposto ato de maus-tratos. "Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos a cautela e a responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos", diz o texto.

"Pedimos punição exemplar para esses adolescentes, se for comprovada a culpa", afirma o delegado e deputado federal Bruno Lima (PP-SP), idealizador do projeto Cadeia para Maus-Tratos, que organizou o ato. Com o caso, Lima quer implementar mais políticas públicas e leis rigorosas voltadas à causa animal.

Maus-tratos

"Nós precisamos aproveitar esse episódio para que a gente consiga ter avanços na Câmara dos Deputados. Infelizmente, eles sempre precisam de casos marcantes como esse para que aceitem alterações nas causas animais", diz.

Maus-tratos é crime no Brasil, conforme lei federal. Com a chamada lei Sansão, sancionada em 2020, a pena para violência contra cães e gatos aumentou de 2 a 5 anos de prisão, e pode ser elevada de um sexto a um terço se o crime causar a morte do animal.

O caso de Orelha ganhou projeção nacional e mobilizou protestos em várias cidades neste fim de semana, como Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro e Salvador. Um novo ato foi feito em Florianópolis, após um pequeno grupo se reunir em frente à sede do Tribunal de Justiça do estado na quinta-feira (29).

Na mesma semana em que o caso de Orelha foi noticiado, outros dois cães comunitários sofreram ataques e morreram no Rio Grande do Sul e no Paraná. Os crimes são investigados pela polícia.

ENTENDA O CASO

Um grupo de adolescentes é suspeito de ter atacado Orelha a pauladas, na praia que é uma das mais populares da ilha catarinense. O animal foi encontrado ferido por moradores e encaminhado para tratamento veterinário. A denúncia foi feita na Polícia Civil em 16 de janeiro.

A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na residência dos suspeitos, analisou imagens de câmeras de segurança e colheu depoimentos de testemunhas. Além deles, três adultos, dois pais e um tio dos jovens foram indiciados sob suspeita de coação de testemunha.

Também estão sob apuração outros atos dos suspeitos, como ofensas a funcionários de um condomínio, furtos e depredação de patrimônio.

Dois dos garotos voltaram na quinta-feira (29) de uma viagem de formatura à Disney, nos Estados Unidos, e tiveram os celulares apreendidos.

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O delegado-geral Ulisses Gabriel, que acompanha o caso, informou, pelas redes sociais, que foi solicitado um laudo de corpo de delito do animal. A investigação é conduzida pela Delegacia de Proteção ao Animal e pelo Departamento de Investigação Criminal, com acompanhamento do Ministério Público de Santa Catarina.

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