ANDANDO NA CALÇADA

Defesa mostra vídeo do cão Orelha vivo após ataque

Delegada da PC confirmou que o animal que aparece no vídeo da defesa é Orelha, mas alegou que a polícia não disse que o cão foi agredido até a morte

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UOL/FOLHAPRESS - Um vídeo apresentado pela defesa do adolescente suspeito de matar o cão Orelha mostra o cachorro caminhando, uma hora após o horário em que a polícia disse que ele foi agredido. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) confirma a veracidade das imagens e diz que em nenhum momento o cachorro foi "agredido até a morte".

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Na imagem apresentada pela defesa, o cachorro sai de um arbusto e caminha por uma calçada de Florianópolis às 7h05 do dia 4 de janeiro. A polícia disse que a agressão ocorreu durante meia hora, na madrugada de 4 de janeiro. Segundo a polícia, o autor da infração cometeu o ato entre 5h25 e 5h58.

A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, confirmou que o animal que aparece no vídeo da defesa é Orelha. 

"Pelo próprio depoimento do veterinário, se confirmou a versão de que essa lesão evoluiu ao longo dos dias. Ele informou que não se tratava de uma lesão imediata, que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias, com um golpe na região da cabeça, e que essa lesão evoluiu e veio a óbito durante o atendimento [em 5 de janeiro]. Podemos perceber [no vídeo apresentado pela defesa] que ele dá uma titubeada, e ao longo daquele período, até o atendimento, o quadro evolui e ele vem a óbito", disse a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, em comunicado.

A polícia diz que não tem imagens do momento exato da agressão. Segundo a corporação, testemunhas estavam presentes na cena, na madrugada de 4 de janeiro, e viram o suspeito cometendo o ato.

Orelha tinha um inchaço na cabeça, e foi atingido por um instrumento de madeira ou uma garrafa de forma contundente. A informação é do delegado Renan Balbino, que citou a análise do veterinário que atendeu Orelha.

A defesa do adolescente diz que o vídeo do cachorro Orelha vivo consta no inquérito que apura coação. Familiares relacionados ao suspeito são investigados por coagirem testemunhas. As identidades deles não foram divulgadas, mas, segundo a polícia, dois têm relação com o adolescente suspeito.

Por meio de recursos tecnológicos, a polícia diz ter rastreado a localização do telefone celular do autor. Segundo a corporação, um software francês auxiliou na análise da posição do suspeito durante o ataque.

O vídeo apresentado pela defesa do adolescente foi alvo de questionamentos. Pessoas nas redes sociais apontaram manipulação de imagem e levantaram dúvidas se o animal que aparece no vídeo se trata realmente de Orelha. A polícia, no entanto, confirmou que a imagem é real.

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas ao concluir a investigação da morte de Orelha. A corporação, que informou ter investigado oito menores suspeitos, não divulgou a identidade de nenhum dos envolvidos.

A Polícia Civil diz que chegou ao "autor do crime" após analisar mais de mil horas de filmagens em 14 câmeras de segurança da região de Praia Brava, em Florianópolis. Em nota, a corporação disse ter ouvido 24 testemunhas, os 8 adolescentes suspeitos investigados, além de provas, como a roupa utilizada pelo adolescente apontado pelas autoridades como o autor do crime, registradas em vídeos.

"Por conta da gravidade do caso Orelha, a polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão de adulto. Ainda, com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, serão corroborados elementos probatórios já obtidos, bem como levantadas eventuais outras informações sobre o caso", disse a Polícia Civil de Santa Catarina, em nota.

 


Também foram indiciados três adultos por coação a testemunha, segundo a PCSC. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, ambas de Florianópolis.

A corporação informou que o adolescente viajou para os EUA no mesmo dia em que investigadores definiram quem eram os suspeitos do caso. Segundo a PCSC, Orelha morreu em 4 de janeiro, e o adolescente ficou no exterior até o dia 29 de janeiro. Ao retornar, ele foi interceptado pela polícia ainda no aeroporto.

Após o desembarque do adolescente, um familiar teria tentado esconder um boné rosa que estava com ele, além de um moletom, usados no dia do crime. Além disso, segundo a Polícia Civil, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem à Disney, mas o próprio adolescente admitiu que já tinha a peça.

A Polícia Civil também divulgou a cronologia do dia do crime e as contradições no depoimento do suspeito. Segundo a corporação, o adolescente saiu do condomínio onde mora, na Praia Brava, às 5h25 da manhã do dia 4 de janeiro. Pouco depois, às 5h58, ele teria retornado ao condomínio com uma amiga. "Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento", informou a PC. "O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina", acrescentou.

Corporação divulgou ainda que tentou evitar vazamentos sobre o que estava sendo apurado ao longo das investigações. "Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou descartar elementos que comprovaram a autoria, como o celular", informou na mesma nota.

A investigação seguiu o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e foi concluída após o depoimento do autor nesta semana, concluiu a PC. "Diante dos elementos e provas, a Polícia Civil finalizou os procedimentos policiais dos casos Orelha e Caramelo e encaminhou para apreciação do Ministério Público e Judiciário."

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A defesa de um dos adolescentes diz que elementos apresentados não constituem prova. Em nota ao UOL, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte alegam que as investigações são "frágeis e inconsistentes", o que "prejudica a verdade". A defesa também reitera que o adolescente representado é inocente e que os defensores ainda não tiveram acesso integral ao inquérito.

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