A apreensão dos celulares de dois dos quatro adolescentes suspeitos de agredir brutalmente o cão Orelha, em Florianópolis (SC), coloca a tecnologia no centro da investigação. O caso, que ganhou repercussão nacional, agora depende de provas digitais que podem ser extraídas dos aparelhos para esclarecer os fatos e determinar a responsabilidade dos envolvidos.

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, os celulares foram apreendidos durante a chegada dos dois após uma viagem de formatura para a Disney, nos Estados Unidos, marcada antes do ataque. Os dois foram intimados a prestar depoimento.

O ataque aconteceu em 4 de janeiro. Orelha, que tinha cerca de dez anos e era cuidado pela comunidade local, foi encontrado ferido por moradores da região e encaminhado para atendimento veterinário, mas precisou ser submetido ao procedimento de eutanásia no dia seguinte. O caso foi denunciado à Polícia Civil em 16 de janeiro.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, os celulares apreendidos serão encaminhados para análise pericial junto aos aparelhos recolhidos na operação realizada na segunda-feira (26/1).

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Esse tipo de análise, conhecida como perícia forense digital, é uma ferramenta cada vez mais comum e poderosa em investigações criminais. Os dispositivos modernos registram praticamente todos os nossos passos, e esses rastros, muitas vezes invisíveis para o usuário comum, podem se transformar em evidências cruciais em um processo.

Mesmo quando o usuário apaga arquivos ou conversas, especialistas conseguem recuperar uma grande quantidade de informações. A exclusão de um dado geralmente não o remove de imediato da memória do aparelho, apenas libera o espaço para que seja sobrescrito no futuro.

É o caso das investigações do caso da assassinato do gari Laudemir, em Belo Horizonte, em julho de 2025. As investigações forenses revelaram trocas de mensagens entre o principal suspeito Renê Nogueira da Silva e a esposa dele, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Lamego Balbino, que também passou a ser investigada por uso indevido de arma e prevaricação, uma vez que a arma usada no crime era dela.

O que a perícia pode encontrar

A análise de um celular pode revelar um verdadeiro mapa da vida digital de uma pessoa. Dentre as informações mais buscadas pelos peritos estão:

  • Fotos e vídeos: mesmo os deletados, podem ser recuperados. A perícia também analisa os metadados, que informam a data, hora e localização exata de onde o arquivo foi criado.

  • Mensagens e áudios: conversas em aplicativos como WhatsApp, Telegram e redes sociais são vasculhadas. Mensagens trocadas antes ou depois de um crime podem indicar planejamento ou confissões.

  • Histórico de localização: dados de GPS, redes Wi-Fi e torres de celular permitem traçar o trajeto de uma pessoa e confirmar se ela esteve na cena de um crime no momento em que ele ocorreu.

  • Pesquisas na internet: o que uma pessoa busca no Google ou em outros navegadores pode revelar suas intenções ou conhecimentos sobre determinado assunto, fortalecendo a linha de investigação.

  • Registros de chamadas: o histórico de ligações efetuadas e recebidas, junto com a duração e os horários, ajuda a mapear a rede de contatos e as comunicações de um suspeito.

É importante destacar que o acesso ao conteúdo de um celular só pode ser feito com autorização judicial. A polícia solicita a quebra do sigilo quando há indícios consistentes de que o aparelho contém provas essenciais para a elucidação do crime.

No caso do cão Orelha, as informações encontradas nos celulares serão fundamentais para confirmar a autoria e a dinâmica das agressões. Os dados podem ser a peça que faltava para conectar os suspeitos diretamente ao ato investigado.

*Com informações de Carlos Villela

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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